Projeto transforma óleo usado em sabão
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quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Fábio Cavazotti<BR>Reportagem Local 
Ibiporã - Um círculo virtuoso com reflexos ambientais e sociais. Assim pode ser definido o projeto ''Adeus Óleo Velho, Feliz Sabão Novo'', desenvolvido por alunos da 3 e 4 séries das escolas municipais Vera Lúcia Pansardi Casagrande e Prefeito Mário de Menezes, de Ibiporã (Norte). A iniciativa vem ajudando a preservar a qualidade dos rios a partir da transformação de óleo de cozinha usado em sabão. A coleta da matéria-prima é feita pelos próprios estudantes e a fabricação do sabão fica a cargo de duas entidades - Associação das Senhoras da Vila Rosan e Associação de Moradores dos Jardins Bom Pastor, Dom Bosco, Canadá, João Magídio e Antônio Guilherme -, que incrementam a renda dos moradores.
''A gente segue o lema: saber e atuar para transformar. Ao mesmo tempo em que ajudam a conservar a natureza, as crianças aprendem diversos conceitos sobre meio ambiente'', contou a professora e idealizadora do projeto, Josilaine Amâncio Corcovi.
De acordo com Josilaine, foram os próprios alunos que definiram o projeto. ''A idéia do sabão surgiu porque os pais de algumas crianças já faziam o produto em casa. Além de dar um destino adequado ao óleo usado, também encaminhamos as garrafas pet para a reciclagem'' - disse, em referência aos objetos usados para armazenar o óleo.
Os alunos que participam do projeto se mostraram cientes dos benefícios gerados para o meio ambiente. ''Nós estamos ajudando porque, ao invés do óleo ir parar no rio, ele é reciclado. Com isso, poluímos menos a água que bebemos'', contou Amanda Bonfim Pereira, 10 anos. O Rio Jacutinga, que serve como manancial de abastecimento de Ibiporã, recebe os restos da estação local de tratamento de esgoto - e todo óleo despejado pela população na pia tem a rede de esgoto como destino final. Estimativa citada pelos alunos, confirmada em algumas páginas da internet, indica que um litro de óleo pode contaminar até 1 milhão de litros de água.
A estudante Sarah Letícia Figueiredo, 10 anos, disse que o programa ''é muito bom porque evita que as pessoas joguem óleo na pia''. Segundo ela, toda sua família aprovou a idéia e tem guardado o óleo usado para ser levado à escola. ''E eu nem sabia que óleo usado virava sabão. Aprendi isso aqui na escola.''
Outro benefício do projeto é a geração de renda para as assciações que recebem a matéria-prima. O presidente da Associação de Moradores do Jardim Bom Pastor, Lafayete Forin, disse que cada pedaço de sabão é vendido a R$ 0,70. ''É uma renda extra que ajuda a manter as famílias'', disse.
Esta semana os alunos apresentaram o projeto ao prefeito Beto Bacarin (PPS), que elogiou a iniciativa. ''É uma idéia que nasceu na escola e está sendo adotada pela prefeitura para ser levada a toda a cidade. Estamos em contato com supermercados para servirem de ponto de troca de óleo'', afirmou. De acordo com o prefeito, a adoção oficial do projeto se dará pelas secretarias de Meio Ambiente e Agricultura.


