Projeto traça ação ambiental para 30 anos em Jacarezinho
Lúcio Flávio Moura
Enviado a Jacarezinho
Jacarezinho está na frente em relação a outros municípios do mesmo porte e busca junto a organismos internacionais e instituições financeiras recursos para implementar projetos de desenvolvimento sustentável que constam na Agenda 21, que reúne 53 programas municipais ligados ao meio ambiente e ao desenvolvimento humano.
Orçado em R$ 40 milhões, os pontos da Agenda 21 regerão o desenvolvimento do município pelos próximos 30 anos, levando-se em consideração aspectos sociais e econômicos, conservação e administração de recursos, fortalecimento dos grupos sociais e meios de implantação.
Esta verdadeira lista de prioridades é fruto das discussões promovidas em 1992 no Rio de Janeiro na Conferência Mundial para o Meio Ambiente, evento da Organização das Nações Unidas (ONU). Na ocasião, 170 chefes de Estado (inclusive do Brasil) assinaram um documento global de orientação às nações, incluindo esferas estaduais e municipais.
Em Jacarezinho, a mobilização sobre a questão ambiental foi ressuscitada com o projeto de uma hidrelétrica em Ourinhos (SP), que será construída por uma concessionária no Rio Paranapanema. Nos últimos anos, o município vem lutando para que seja apresentado um Relatório de Impacto Ambiental da obra, já que parte do território será alagado.
O Instituto de Desenvolvimento Sustentável, uma organização não-governamental de Curitiba, que acompanhou de perto a polêmica, se ofereceu para prestar orientação técnica, ao mesmo tempo que chamou a atenção da comunidade para a necessidade de se discutir a elaboração da Agenda 21 municipal.
Comandada por Arnaldo Muller, ex-superintendente de Meio Ambiente da Itaipu Binacional (de 1975 a 1995) e responsável pelo projeto de recuperação das matas ciliares na margem brasileira do reservatório da maior hidrelétrica do mundo, a ONG entregará esta semana o projeto para o governo do Estado.
São projetos multidisciplinares elaborados por 48 voluntários que compuseram sete grupos de trabalho instituídos por uma comissão do Conselho Municipal do Meio Ambiente. A agenda já foi suficiente para que algumas decisões fossem tomadas na comunidade, o que já é muito válido. Os projetos estão muito bem elaborados e serão exemplos para outros municípios, afirma Muller.
A Agenda 21 foi discutida desde outubro e aprovada há duas semanas, sendo apresentada na programação dos 100 anos de emancipação política do município, comemorados domingo. Daqui para frente, desenvolvimento sustentado será qualidade de vida, e deve ser prioridade das administrações municipais, ressalta o prefeito Mário Clóvis Gaspar (PSDB).
Entre outros projetos está o programa de plantio de mudas nativas nas margens do Rio Jacaré e mais sete afluentes. No total, serão 2,5 milhões de mudas. É uma aposta no futuro. Se executado, as próximas gerações nos agradecerão, lembra Hamilton Setti, representante da ONG.
Efeito prático das discussões para a Agenda 21: os novos loteamentos da cidade terão paisagismo direcionado com a obrigatoriedade do plantio de árvores em locais adequados e a readequação do sistema de esgoto e das galerias pluviais que vinham se misturando na estrutura de captação e causando problemas nas estações de tratamento.





