Projeto tira jovens das ruas de Curitiba
Maigue Gueths
De Curitiba
Adolescentes recebem R$ 60,00 por mês, transporte e assistência social. Quando terminarem curso vão prestar serviço à comunidade
Aproximadamente 100 jovens de 17 e 18 anos, moradores do bairro Sabará e Vila Santa Rita, em Curitiba, que antes perambulavam pelas ruas, sem estudar ou trabalhar, tiveram uma virada radical em suas vidas nos últimos dois meses. Participando do Serviço Civil Voluntário, um projeto do Instituto de Defesa dos Direitos Humanos, eles voltaram a estudar, estão tendo aulas em dois cursos profissionalizantes e recebendo 120 horas de aprendizado sobre cidadania.
Os jovens recebem uma bolsa-escola de R$ 60,00 por mês, vale-transporte, lanche e assistência social. Em contrapartida, após terminar o projeto, com duração de quatro meses, passarão a prestar serviço voluntário para a comunidade em que vivem. Segundo Paulo Pedron, coordenador do instituto, a intenção é fazer com que esse projeto seja oficialmente reconhecido como uma alternativa ao serviço militar. No próximo ano, o objetivo é atender 900 jovens de Curitiba, e aumentar a duração do projeto para nove meses.
O projeto é executado em parceria com os Ministérios da Justiça e do Trabalho, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, Secretaria Estadual de Emprego e Trabalho, Pontifícia Universidade Católica (PUC-PR), Centro de Educação Continuada à Distância (Cead), Força Sindical e a Fundação de Ação Social (FAS) da Prefeitura de Curitiba, que ministra os cursos profissionalizantes. A verba para o projeto vem do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Antes eu só ficava na rua, jogando bola. Estou achando muito bom porque estou aprendendo uma profissão e muitas coisas de cidadania, diz Walter da Silva Coelho, 17 anos, que pretende fazer algum trabalho junto à sua comunidade. Walter, que mora com a mãe e dois irmãos, diz que os R$ 60,00 de bolsa-escola são importantes para complementar a renda de R$ 300,00 que sua mãe consegue como dona de um bar. Assim como Walter, Antonio José Martins e Eder Glovaski também estão no programa e hoje estudam o supletivo do 2º grau e fazem o curso de vendedor balconista.
Ontem o grupo participou de palestra o procurador da Justiça do Paraná, Olympio de Sá Sotto Maior, especialista na área do Estatuto da Criança e do Adolescente, que incentivou os jovens a cobrarem seus direitos junto aos poderes públicos. Dia 10, o projeto começa uma campanha de serviços voluntários, que pretende levar os jovens a atuarem em escolas, creches e em trabalhos ecológicos.





