O Ministério do Meio Ambiente quer devolver à natureza milhares de animais silvestres que vivem hoje em cativeiro no Brasil. O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), Hamilton Casara, estima que existam pelo menos 50 milhões de animais confinados em jaulas e gaiolas. O órgão vai promover a reintegração do máximo possível de animais à natureza e melhorar o controle sobre os que permanecerão em cativeiro. ''Só vão continuar confinados os animais que não tiverem mais condições de se adaptar à liberdade'', informou.

Segundo Casara, o Ibama está formando uma Câmara Técnica que vai coordenar as ações. A intenção é reunir organizações governamentais e não-governamentais, universidades e profissionais técnicos para trabalhar em projetos de readaptação dos animais. Nos próximos dias, os profissionais começam a levantar a situação dos quase 50 zoológicos existentes em São Paulo.

Em operações conjuntas com a polícias Florestal e Federal, o Ibama também está apreendendo aves e animais silvestres em propriedades particulares. Casara esteve ontem em Guaíra (114 quilômetros a oeste de Umuarama), onde a Operação Fronteira 2 já havia apreendido quase 600 pássaros, a maioria capturada na região do Parque Nacional de Ilha Grande.

O presidente do Ibama disse que a campanha de combate ao tráfico e confinamento de animais silvestres não tem prazo para terminar. Em Guaíra, Casara se reuniu com representantes do Exército, Marinha, policias e órgãos de proteção ambiental para discutir formas de cooperação no combate à caça, tráfico de animais e outros crimes ambientais no Parque Nacional de Ilha Grande, localizado na divisa com o Mato Grosso do Sul e na fronteira com o Paraguai. As instituições querem colaborar, mas têm esbarrado na burocracia e em problemas de ordem hierárquica.

Casara informou que o Ibama já conseguiu firmar parcerias com o Comando Militar da Amazônia e com a Marinha do Rio Grande do Sul. ''Vamos tentar formar uma rede de apoio em todas as regiões, principalmente nas áreas de fronteira'', disse.

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