Milton DóriaMaturidade e açãoSandoval, que faz curso no Senac: ‘A gente tem que acompanhar os dias de hoje e não ficar recordando’ A partir de sexta-feira, pessoas com mais de 40 anos terão um novo local, em Londrina, para debater problemas, carências e alegrias da terceira idade. O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) está lançando o programa Maturidade e Qualidade de Vida, que vai oferecer uma série de cursos voltados para os idosos. A idéia foi apresentada na semana passada a lideranças comunitárias em um café da manhã realizado no Cedro Hotel. O lançamento oficial do projeto acontece na sexta.
‘‘O objetivo do programa é resgatar o interesse pela vida’’, diz o gerente do Senac, Paulo Afonso Lima, que prefere chamar os idosos de ‘‘maduros’’. Ele acredita que assim vai diminuir o preconceito que prejudica principalmente os aposentados.
Na opinião do gerente do Senac, é importante que as instituições comecem a oferecer novos serviços à terceira idade porque, segundo pesquisas de especialistas no assunto, no ano 2020 o Brasil terá 20 milhões de idosos. ‘‘Seremos o sexto país em população idosa’’, comenta.
Lima afirma que a primeira experiência do Senac de Londrina com turmas de idosos começou no ano passado, com a criação de um curso de informática para alunos com idade superior a 40 anos. A segunda turma já está em andamento e atendendo a 12 pessoas - que é a capacidade do laboratório de informática.
Milton DóriaConhecimentoNeiva Lima, que aprendeu informática: para ela, amizades são aspecto mais importante dos cursos
Neiva Maria de Melo Lima, 52 anos, moradora do jardim Lago Parque (área central), frequentou a primeira turma do curso de informática do Senac, no ano passado. Ela é aluna da Universidade Aberta à Terceira Idade (Unati), que funciona na Universidade Estadual de Londrina (UEL), e diz que as noções básicas de informática estão permitindo que ajude o marido, membro do Rotary Club, a fazer alguns serviços. ‘‘Nós lidamos com intercâmbio de grupos de estudos e o aprendizado está sendo importante’’, diz Neiva. Ela ressalta ainda as amizades feitas durante o curso - para ela, o aspecto mais importante.
Estreitar o relacionamento com os quatro netos foi um dos motivos que levaram o aposentado Márcio Sandoval, 72 anos, a frequentar o curso de informática do Senac. ‘‘A linguagem deles não é a minha linguagem. Acho que a gente tem que acompanhar os dias de hoje e não ficar recordando os dias de ontem’’, diz Sandoval.
Outro motivo que o levou ao Senac é tentar acabar com o preconceito que a sociedade tem em relação aos mais velhos. ‘‘As pessoas acham que os velhos têm que ficar sentados, assistindo à TV. Isso não é verdade’’, diz. ‘‘Os velhos de hoje estão conformados com o seu desaparecimento. Não participam da vida. Nós, velhos, temos que nos conscientizar que a vida continua. Não devemos cultuar a morte.’’
Márcio Sandoval acredita que os idosos não sabem reivindicar os seus direitos e lembra que o valor das aposentadorias é muito baixo. Por isso, com o curso de informática, ele vê até a possibilidade de, se necessário, conseguir um trabalho.
Aposentado há sete anos como funcionário de departamento de compras de uma firma de engenharia, Márcio Sandoval pede que outras entidades realizem programas voltados à terceira idade. ‘‘A sociedade não considera o idoso como uma pessoa atuante, mas como uma fotografia na parede.’’

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