Projeto socializa alunos especiais
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quinta-feira, 04 de março de 2004
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Conciliação das atividades de vida diária com as de vida prática. Dita assim, a expressão chega a soar um tanto vaga, senão óbvia. Observando um cardápio harmoniosamente preparado a 32 mãos e mesas decoradas com objetos artesanais, contudo, ela faz bastante sentido. Acostumado às atividades dentro da escola ou do próprio círculo familiar, um grupo de oito jovens e adolescentes de Londrina, portadores de necessidades especiais, mostrou ontem aos pais que limitação não é, em definitivo, característica deles. A conquista é resultado de dois anos de um projeto pioneiro no Paraná, o ''Comunicar e Crescer''.
Membros da Escola de Educação Infantil Vagalume e da organização não-governamental (ONG) que leva o nome do projeto, criada no fim de 2003, eles prepararam durante o dia o cardápio e a decoração do jantar oferecido aos pais, à noite, passadas as três etapas de atividades voltadas à socialização e inserção deles no mercado de trabalho. A atividade, definida como pré-profissionalizante, foi coordenada pela terapeuta ocupacional Thaís Honório Garcia, em parceria com a ONG. De acordo com ela, o desafio de levar o grupo de 14 a 21 anos a viver uma vida mais próxima possível da normalidade só não foi totalmente vencido porque ainda depende das empresas abrirem vagas a esse público. As demais etapas, garantiu, tiveram um resultado ''surpreendente''.
''Sempre iniciamos as atividades do dia discutindo questões como higiene pessoal, responsabilidades e independência'', conta. E o preconceito, ainda existe? ''Não, as pessoas estão preparadas para o contato com esses alunos especiais. Mas às vezes, pelo excesso de zelo, parece que duvidam que ele é capaz de se virar sozinho'', observou, frisando que para a família também houve mudanças significativas após a maior socialização dos filhos.
A redescoberta trouxe frutos ''doces'' à família de Barbara Carolina Galão Palma, de 16 anos. O motivo, ela explica, está no sorvete que aprendeu a fazer para o jantar. ''Agora querem que eu faça sempre lá em casa'', contou, orgulhosa. O colega Vinícius Marques Carvalho, de 18, não fica atrás: um dos responsáveis pela carne que seria assada mais tarde, ele garante que seu ramo é outro: ''Quero aprender a fazer pulseiras e relógios, para vender a relojoarias'', confessou.


