Cento e cinquenta crianças participaram ontem do batizado de capoeira como parte da programação do 5º Mundial de Capoeira do Grupo Maculelê, que reúne participantes de diversos países, como Brasil, Inglaterra, Colômbia, Peru e Estados Unidos.
Desenvolvido no Jardim Santa Fé (Zona Leste), o Projeto ''Yê viva meu Mestre'' atende 65 crianças e adolescentes. Edson Rocha da Silva, conhecido como Mestre Padeiro, explica que ministra as aulas em um espaço na sua casa, aos sábados e domingos.
''Para participar as crianças precisam estudar e ter boas notas, além de bom comportamento. Para aqueles que apresentam dificuldades na escola, a minha esposa, que é pedagoga, oferece reforço escolar e só depois eles podem voltar para a capoeira'', conta ele.
O projeto não possui nenhum patrocínio e mestre Padeiro usa parte de seu salário como segurança para comprar o uniforme para as crianças. ''Algumas vezes recebemos doações. Eu peço que doem calças e camisetas e o patrocinador pode colocar seu nome nas costas do uniforme'', explica. Tanta dedicação às crianças tem um motivo. Antigo morador do bairro, ele agradece a oportunidade de conhecer a capoeira e por isso não ter se envolvido em problemas.
Raí de Souza Ferreira Gama, de 11 anos, participava da sua quarta troca de cordão. ''Já faz quatro anos que eu faço capoeira e gosto bastante. Meus dois irmãos também fazem. Eu acho bem legal e isso nos mantém longe das drogas e das ruas'', afirmou. Daian Vinícius Silva de Souza, de sete anos, nem sabia ao certo quanto tempo faz aulas, mas esperava ansioso pelo seu primeiro batizado.
Além das crianças do Jardim Santa Fé, também foram batizados os alunos do projeto da Guarda Mirim de Apucarana e de um outro projeto do Jardim União da Vitória (Zona Sul).
Sara Janeni, organizadora do evento explica que um dos objetivos do batizado das crianças ser dentro do Mundial é mostrar que com o esporte as crianças podem também conseguir uma profissão. ''Temos aqui vinte professores que dão aulas inclusive no exterior e que servem de exemplo, pois também vieram de comunidades carentes'', destacou.
De acordo com Sara, a preocupação com o social vai além do atendimento às crianças. Amanhã estará sendo realizada no calçadão uma campanha em prol do Hospital do Cancêr (HC). ''Estaremos vendendo camisetas com renda revertida ao HC, que aproveitará a oportunidade para esclarecer as pessoas sobre o câncer de mama e de próstata.''
Serviço: Interessados em fazer doações para o Projeto ''Yê viva meu Mestre'' podem entrar em contato pelos telefones (43) 3329-2400 e 9912-1255.

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