Projeto sobre flanelinhas vira polêmica
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quinta-feira, 08 de julho de 2004
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
A possibilidade de os flanelinhas serem cadastrados em Londrina divide a opinião das autoridades e dos próprios guardadores de carros. Uma audiência pública realizada na noite de anteontem na Câmara dos Vereadores para discutir um projeto de lei que regulamenta a atividade só demonstrou que serão necessárias outras discussões para eliminar todas as dúvidas e implicações que a lei pode trazer.
De acordo com o projeto, todo guardador terá que ser cadastrado na Secretaria Municipal de Assistência Social, ser maior de idade, não ter antecedentes criminais e apresentar comprovante de residência. Após o cadastramento, os flanelinhas serão uniformizados e identificados por crachá. A atividade terá caráter temporário prazo máximo de seis meses. Durante este período, o guardador ele deverá frequentar curso profissionalizante que o prepare para o mercado de trabalho.
Contudo para a Secretária de Assistência Social, Maria Luiza Rizotti, esse trabalho não seria de competência da sua pasta. Segundo ela, a prefeitura já possui programas que possibilitam a inclusão de pessoas carentes nos serviços de capacitação profissional já disponíveis. A secretária defende que os programas são abertos a todas as pessoas carentes sejam elas flanelinhas ou não.
Para o assessor de relações comunitárias da Companhia Municipal de Trânsito Urbanização (CMTU), Carlos Xavier, o assunto deveria ser mais discutido com o poder público. ''Precisa de uma análise jurídica melhor, porque no caso de roubo a prefeitura poderia ser co-responsável pelo veículo'', explicou Xavier. Ele sugeriu que os guardadores formassem uma associação para pleitear áreas fixas, como ocorre com a Zona Azul (estacionamento pago).
O flanelinha Claúdio Soares de Miranda, de 52 anos, critica a restrição de tempo de serviço. ''Eu já tenho um monte de cursos e mesmo assim não consegui emprego por causa da minha idade'', explicou. Ele afirma que gostaria que a profissão fosse legalizada, para que as pessoas o respeitasse mais. Porém não acredita que os cursos sejam garantia de emprego.
Já o colega de trabalho e Miranda, José André Rodrigues, de 53 anos, acha o projeto vantajoso. ''Se tivermos condições de conseguir um trabalho melhor será bom'', disse Rodrigues, que trabalha mesmo em baixo de chuva.
Para o autor do projeto, o vereador Félix Ribeiro, como houve muitas sugestões e pouca participação da comunidade, uma nova audiência pública deve ser marcada em duas semanas. Ele ressaltou que a intenção do projeto não é transformar a atividade em profissão, mas sim propiciar uma forma de inclusão destas pessoas e trazer segurança para os motoristas.


