Projeto sobre fauna inicia identificação
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de março de 1998
Luciane Tonon 
Luciane TononNaturezaOs biólogos Marcos Bornschein e Bianca Reinert durante o trabalho na mataSessenta espécies de pássaros entre eles o pula-pula (passarinho verde e amarelo da região do cerrado, raro no Paraná), e outros animais exóticos como tatu e tamanduá-mirim foram registrados pelos biólogos Marcos Bornschein e Bianca Reinert, no Parque Estadual São Francisco em Santa Mariana (16 km norte de Cornélio Procópio).
O levantamento foi feito durante a expedição dos biólogos para reconhecimento da fauna local. Esta foi a primeira etapa do projeto de levantamento da fauna. O projeto está sendo financiado pela Agência de Cooperação Técnica do governo alemão - GTZ.
A expedição foi acompanhada ainda pelo fotógrafo ambientalista Zig Koch. Ele está fazendo um documentário para o Grupo Ecológico Vida Verde. O mesmo grupo GTZ, a Fundação OBoticário e a Faculdade de Agronomia Luiz Meneghel, de Bandeirantes - FFALM, foram os precursores do levantamento da flora local em 1994. Quando cinco famílias e 70 espécies botânicas foram identificadas.
Luciane Tonon
Segundo o engenheiro florestal do grupo Vida Verde, Astolpho Vilhena, o levantamento da fauna está sendo feito para ver a capacidade de suporte de animais. O objetivo é preparar o local para o remanejo dos animais resgatados das áreas que serão alagadas pelas usinas hidrelétricas Canoas 1 e 2, em Andirá e Itambaracá. Não podemos simplesmente trazer os animais sem termos um conhecimento dos que já vivem no local, explicou.
Localizada entre Santa Mariana e Cornélio Procópio, a mata São Francisco tem 852 hectares. Segundo a bióloga Maria Vitória Duarte, da FFALM, a mata tem uma vegetação pobre e a fauna sofre com isso. Ela explica que a mata sofreu uma exploração irregular. Nas áreas de fácil acesso, procedeu-se o desbaste seletivo. Há cerca de 30 anos, um incêndio destruiu praticamente 20% da área com abertura de clareiras pelo vento, contou Maria Eugênia.
Estes fatores, diz a bióloga, colaboraram para a predominância de cipó (98%) e taquara (46%). Hoje, a mata está cercada por áreas plantadas de cereais, cana-de-açúcar e pastagens. Este quadro é considerado uma barreira para o trânsito de animais e fonte de poluentes e de pertubações como fogo e caçadores. Mesmo assim, a Mata São Francisco é o maior remanescente florestal da região. Estima-se um número de 832 árvores por hectare.


