Projeto salva a vida de recém-nascidos
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sexta-feira, 14 de novembro de 2003
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
Às vésperas de completar um ano de existência, o projeto ''Vigia Bebê'', implantado pela Secretaria Municipal de Saúde de Ibiporã (14 km a leste de Londrina), apresenta bons resultados no combate à mortalidade infantil. A meta de redução de óbitos entre recém-nascidos assumida para este ano, que era conseguir manter os mesmos índices de 2002, foi, de longe, superada, embora os índices oficiais possam sofrer alterações até dezembro.
No ano passado, o índice de mortalidade infantil em Ibiporã fechou em 8.4 óbitos para cada mil nascidos vivos. Em números absolutos, de cada mil crianças, 7 com idade inferior a um ano morreram no município. O número representou um grande avanço em relação a 2001, quando o índice ficou em 15.8/mil. ''Iniciamos, no ano passado, um 'cerco' aos recém-nascidos, com a disponibilização de pediatras 24 horas por dia na rede pública'', justifica a secretária de Saúde de Ibiporã, Tânia Maria Aroceno.
As medidas mais eficazes de combate à mortalidade, entretanto, só foram postas em prática em novembro, quando foi criado o Vigia Bebê. Com o trabalho constante de uma equipe multiprofissional, nenhuma criança nascida no município é deixada de fora do projeto. ''Todos os dias, uma auxiliar de enfermagem percorre os hospitais de Ibiporã e identifica, entre os recém-nascidos, quais se enquadram no grupo de risco'', explica Tânia.
De acordo com o pediatra e coordenador do Vigia Bebê, Joubert de Carvalho Marcondes, existem uma série de fatores ligados tanto à criança quanto à mãe que determinam riscos à saúde e à vida dos bebês. Ocorrências como prematuridade, nascimento de gêmeos, má-formação e baixo peso ao nascer são alguns desses fatores, junto com problemas durante o parto e gravidez na adolescência.
Depois de identificar os recém-nascidos que necessitam de assistência à saúde, a equipe do projeto inicia uma maratona de atendimento. Ainda no hospital, os médicos marcam uma primeira consulta, agendam a vacinação da criança e orientam a mãe a procurar a unidade de saúde mais próxima de sua residência. Depois, profissionais do Programa Saúde da Família (PSF) fazem visitas à casa da criança e, além de dar suporte médico, preparam um relatório completo sobre a situação da família.
Márcia Maria Amanso, 28 anos, ficou surpresa ao receber uma dessas visitas. Ela é mãe de Yasmim, nascida há dois meses, uma das crianças atendidas pelo Vigia Bebê. ''Eu não conhecia o projeto, estranhei que a equipe fosse até minha casa. Eles fizeram muitas perguntas: queriam saber desde a minha renda familiar até se a casa era arejada'', conta. Márcia conversou com a reportagem da Folha durante a terceira consulta pediátrica da filha, que nasceu com 40 semanas pesando 2,3 kg - o normal seriam 2,5 kg - e hoje já está mais forte e continua ganhando peso.
Marcondes esclarece que o tempo de permanência das crianças no projeto não é rígido. ''Via de regra, são seis meses. Mas algumas respondem mais rapidamente ao atendimento e recebem alta antes desse período'', afirma. O pediatra atende, em média, cinco crianças por dia. A cada consulta, ele avalia o desenvolvimento físico, neurológico, motor e psicológico do bebê, além de orientar a vacinação, a higiene e a amamentação.
Os coordenadores do Vigia Bebê ainda estão preparando o balanço do primeiro ano de atendimentos. Os primeiros resultados, entretanto, já podem ser observados. Desde o início deste ano, foram documentados apenas 4 óbitos de crianças abaixo de um ano de idade em Ibiporã. Destas, apenas uma chegou a ser atendida pelo projeto as outras, sobreviveram apenas algumas horas. ''Foram quatro óbitos inevitáveis. Não registramos nenhuma morte evitável desde a implantação do projeto'', comemorou a secretária de Saúde.


