Projeto Rondon volta para atender pobres
Emerson Cervi
De Curitiba
O Projeto Rondon, que durante 20 anos, fez voluntários de universidades públicas e privadas prestarem serviços a comunidades carentes do interior do País, está sendo retomado. Um grupo de rondonistas, como são chamados os voluntários do projeto, resolveu montar uma organização não-governamental (ONG) para desenvolver a extensão universitária em áreas pobres.
A Associação Nacional dos Rondonistas, com sede em Brasília, quer mobilizar os acadêmicos para desenvolvimentos de novos projetos. Cada estado terá uma associação. A assembléia de fundação da Associação dos Rondonistas do Paraná deve ser no dia 25 de fevereiro. Queremos mobilizar os estudantes nesses projetos porque atualmente eles parecem estar mais alienados para a realidade social do País do que em 67, diz o professor Carlos Alberto Gaya, que foi um dos técnicos do Projeto Rondon no Paraná e coordenador estadual em Mato Grosso do Sul, entre 82 e 86.
Essa associação terá o mesmo espírito dos rondonistas antigos: participação voluntária e extensão universitária como apoio ao desenvolvimento de comunidades carentes. Mas terá diferenças. A principal é que não se trata mais de um projeto público. A responsabilidade será de uma organização não-governametal, evitando a vinculação com governos, explica Gaya.
Outra diferença é que os projetos não vão mais priorizar a integração nacional. Eles serão desenvolvidos nas comunidades carentes próximas de cada instituição de ensino. Nos anos 70 se falava muito na integração entre regiões desenvolvidas e outras em desenvolvimento, hoje em dia a pobreza está em todas as regiões e cidades, explica. Muitas vezes o estudante universitário não sabe que a pobreza está na sua vizinhança.
Segundo Gaya, que foi convidado pela associação nacional para ser o superintendente da associação paranaense, os projetos do novo Rondon serão financiados por convênios e parcerias com órgãos públicos e iniciativa privada. No Paraná, o projeto Rondon reuniu entre os anos 70 e 80 cerca de 320 mil voluntários. O objetivo da ONG é contar com o mesmo número de estudantes a médio prazo. Todos deverão desenvolver projetos em suas regiões de origem.





