Curitiba - A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Federal deverá analisar em agosto um projeto de lei que proíbe a utilização de herbicidas em áreas urbanas e de agrotóxicos em áreas de proteção de mananciais. A proposta, de autoria do deputado federal Florisvaldo ''Rosinha'' Fier (PT), já foi aprovada na Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias. A intenção é inibir o uso de herbicidas como o glifosato. ''Este tipo de herbicida é aplicado sem qualquer tipo de cuidado e prejudica animais e crianças quando espalhado pela ação do vento'', justificou Rosinha.
A iniciativa é bem vista pelos ambientalistas. O representante da Organização Não Governamental (Ong) da Região Sul no Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), José Álvaro Carneiro, disse que todo o herbicida ou agrotóxico é um biocida, ou seja, é um veneno capaz de danificar fauna e flora. ''Se os dois produtos forem ingeridos em doses fortes, os mesmos podem matar inclusive mamíferos de grande porte'', avisou o ambientalista.
Cordeiro exemplificou o caso das batatas cultivadas na Região Metropolitana de Curitiba e que utilizam agrotóxicos em larga escala. ''A batata usa veneno para cultivo e para a conservação. O mau uso tem provocado mortes entre os agricultores'', alertou ele. Estatísticas de 1995 demonstram que entre 90 e 100 produtores morriam anualmente no Estado vítimas de intoxicação por veneno agrícola. Ele destacou ainda os danos provocados ao meio ambiente. ''Quando se usa agrotóxico ou herbicida em larga escala se diminui a quantidade e a diversidade de vida na natureza'', disse.
A Secretaria de Estado de Saúde não informou ontem os dados atualizados sobre mortes no campo por causa de agrotóxicos. No entanto, acredita-se que existam cerca de 300 produtos com princípios ativos e 2 mil formulações deste tipo de substância sendo comercializados no Brasil.

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