Projeto restringe estrangeirismo em publicidade oficial
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terça-feira, 19 de agosto de 1997
Dary Júnior 
Curitiba
Kraw PenasAlvoAs yellow boxes, também conhecidas como ratoeiras, demarcam com faixas amarelas um quadrado nos cruzamentos das ruas, para orientar os motoristas a não trancarem a passagem, e são o principal alvo do projeto de LeprevostDois vereadores iniciaram a semana em disputa da autoria de um projeto que restringe o uso de expressões estrangeiras em campanhas publicitárias da prefeitura de Curitiba. Neli Almeida (PSC) chamou a mídia primeiro, mas depois reconheceu que Ney Leprevost (PPB) havia encaminhado a idéia bem antes dela, mais precisamente no dia 23 de junho. Foi só um mal-entendido, define o vereador, que nega ser xenófobo ou nacionalista radical.
A própria vereadora tratou de desfazer uma possível polêmica em seu pronunciamento de ontem à tarde, quando defendeu o projeto de Leprevost. Segundo a assessoria de Neli Almeida, ela vai apenas apresentar um substitutivo para acrescentar alguns itens. O vereador diz que a idéia não é proibir o uso de língua estrangeira em campanhas publicitárias, designação de locais públicos e sinalizações, mas regular tal procedimento.
Imagine um semi-analfabeto querendo saber o que é yellow box..., sugere Leprevost, numa referência à caixa amarela, sistema de trânsito importado de Londres (Inglaterra) e adotado em Curitiba para evitar que os cruzamentos das ruas sejam fechados pelos veículos. Ele não se lembra de outras expressões, mas tolera a terminologia estrangeira. Desde que acompanhada da tradução e em menor destaque, emenda o vereador, em defesa da cultura nacional.
Ainda em tramitação na Câmara de Vereadores de Curitiba, o projeto ainda não tem data prevista para votação. No entanto, a prefeitura já se manifesta em relação ao seu conteúdo. Nós nunca usamos a expressão yellow box em peças publicitárias, avisa o superintendente da Secretaria Municipal de Comunicação Social, Ivens Pacheco. Mesmo os releases (textos institucionais) para a imprensa traziam a tradução, lembra.
Pacheco também descarta o uso de idioma estrangeiro em campanhas publicitárias. Não há por que usar outra língua em comunicação de massa, acredita. Como o vereador, ele admite que o anglicismo é comum atualmente devido à influência cultural externa, principalmente dos Estados Unidos. Leprevost ainda tem outro projeto ligado ao tema. Trata-se daquele que propõe o ensino de espanhol nas escolas da rede pública.
Além de provar que nada tenho contra outras culturas, o objetivo é preparar as crianças para a consolidação do Mercado Comum do Sul, o Mercosul, justifica o vereador.


