Projeto resgata valores da boa vizinhança
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 07 de setembro de 2006
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Melhorar a convivência entre os moradores, cuidar da qualidade das ruas e dos espaços públicos, como praças e fundos de vale, e usar a solidariedade para aumentar a segurança. Para atingir a meta de resgatar os valores da boa vizinhança, um grupo de associações de moradores da Zona Sul de Londrina está recorrendo a soluções simples. A idéia é aumentar a participação das pessoas nos assuntos comunitários através de um projeto batizado de ''Bom Vizinho''.
''Hoje a vida de muitos moradores do bairro é muito isolada. As pessoas procuram construir muros altos e colocar cercas elétricas para se proteger. O problema de segurança é sério, mas acredito que podemos melhorar isso aumentando a convivência entre os vizinhos'', declara o aposentado Izaias Bittencourt Moraes, coordenador do projeto e morador do Vale do Reno.
De acordo com Moraes, a ocorrência de crimes como assaltos a mão armada na vizinhança também motivou a iniciativa. A reunião de lançamento, na quarta-feira, foi prestigiada por cerca de 150 moradores e contou com a presença de autoridades policiais e do arcebispo dom Orlando Brandes. O projeto abrange quatro associações de moradores: Vale do Reno, Alcântara, Colonial e Burle Marx; jardins Cláudia e Guanabara; Mediterrâneo e Tucanos e Igapó.
A primeira atitude foi a formação de uma rede de troca de informações via internet para recolher idéias que podem ser colocadas em prática com o intuito de melhorar as condições dos bairros. A meta do grupo é ousada. A estimativa é que o projeto atinja cerca de 20 mil moradores da região.
Outra idéia que já vai começar a ser colocada em prática são as boas vindas oficiais dos moradores. Os vizinhos ficarão responsáveis por fazer o primeiro contato com quem está mudando para o bairro, oferecendo inclusive almoço e jantar como forma de cortesia.
As idéias serão discutidas também nas escolas, grupos de reflexão, organizações não-governamentais e clubes de serviço da região. No final do ano, os participantes voltam a se reunir para fazer uma avaliação dos trabalhos.
O caminhoneiro Jaci Inácio dos Santos, 65, é um dos moradores mais antigos do Vale do Reno. Mesmo assim, ele não conhece muitos vizinhos. ''Quando um alarme toca no bairro, a vizinhança não se preocupa. Com o projeto, vai ficar mais fácil esse intercâmbio pessoal e um vizinho vai se preocupar com o outro'', comenta.
Para a funcionária pública Denise Araújo Amaral, 46, o principal mérito do projeto é acabar com a indiferença que impera entre os moradores. ''Muita gente nem cumprimenta os vizinhos. O que queremos é acabar com a acomodação do cotidiano e melhorar a convivência''.


