Projeto quer limitar horário de bares
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sexta-feira, 30 de novembro de 2001
Emerson Dias<br>De Londrina 
Um projeto de lei que tramita na Câmara de Vereadores de Londrina pretende limitar o funcionamento de bares, lanchonetes e clubes que registram altos índices de violência. A proposta foi aprovada pelo representante dos estabelecimentos e também pelo delegado-chefe da Polícia Civil.
Segundo o autor do projeto, vereador Orlando Bonilha (sem partido), a intenção é inibir a violência nos bairros punindo os estabelecimentos que não garantam segurança aos clientes. ''A proposta é limitar o funcionamento até as 23 horas para locais que registrarem duas ou mais ocorrências policiais em 60 dias'', explicou Bonilha, lembrando que os casos devem estar devidamente comprovados em boletins das polícias Civil ou Militar.
A proposta foi elaborada devido ao grande número de brigas, assaltos e até mesmo homicídios ocorridos em locais ''mal frequentados''. Entre os exemplos estão dois assassinatos registrados no feriado de 15 de novembro. O primeiro foi registrado durante a madrugada, onde um policial matou a ex-mulher em uma casa de shows na região central. O outro crime ocorreu no início daquela noite em um bar e panificadora do Jardim Bandeirantes, região oeste da cidade (um vendedor foi morto com dois tiros por um menor). ''Caberá a Secretaria de Fazenda fiscalizar os casos e limitar os horários. A intenção não é retirar o alvará, mas isso pode acontecer em caso de reincidência'', disse o vereador.
Para o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina (SDP), Gilson Garret Algauer, a proposta é bem-vinda pelas forças policiais da cidade. ''Temos ocorrências consideráveis vinculadas ao álcool. Este é um fator a mais que viria garantir maior segurança à população'', comentou Algauer, sem detalhar números específicos ocorridos nesses estabelecimentos. O advogado Marco Aurélio Ceranto, que acompanha as negociações entre prefeitura e casas noturnas sobre poluição sonora e limitações de shows musicais, disse que a implantação da lei não prejudicaria os ''empresários sérios''. ''As boas casas não chegam a registrar muitas ocorrências. Acho válido porque a lei serviria mais para os pequenos bares da periferia'', disse Ceranto.
O projeto de lei 410/2001 teve avaliação positiva pela maioria dos vereadores, mas foi retirado ontem da sessão pelo próprio Bonilha. Ele pretende detalhar no texto os locais que serão fiscalizados (na proposta original constam apenas os bares) e colocá-lo em votação na próxima terça-feira.


