Projeto quer aumentar vida útil das baterias
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sexta-feira, 26 de novembro de 2004
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
Ninguém duvida que o celular virou um equipamento indispensável. Algumas pessoas possuem até dois ou três telefones. Numa reunião, por exemplo, basta uma campainha tocar para as pessoas sairem atrás do bendito telefone. Útil, porém, pode causar danos à natureza. O que fazer com as baterias descartadas?
Somente a Sercomtel, anualmente, recebe dez mil baterias de telefones celulares para a reciclagem destrutiva sem contar as esquecidas em qualquer gaveta pelos usuários ou que vão para lixos domésticos e, posteriormente, para o aterro sanitário, contribuindo para a contaminação do meio ambiente.
Uma parceria entre a operadora londrinense e a Universidade Estadual de Londrina (UEL) pretende aumentar a vida útil das baterias por mais um ou dois anos. Os usuários não sabem, mas cada vez que colocam o celular para carregar, a baterias é carregada com apenas 60% do tempo de uso útil. A parceria resultou em um projeto pioneiro, aprovado na primeira fase do programa Paraná Inovação, promovido pela Fundação Araucária de Apoio Científico e Tecnológico, que está investindo R$ 20 mil.
Inicialmente, os pesquisadores propõem a reciclagem não-destrutiva, evitando o desgaste prematuro das baterias de níquel metálico. No futuro, esperam, possa ser realizada a reciclagem química dos eletrodos de baterias descartadas, tornando-os eletroquimicamente ativos para a fabricação de novas baterias. A Sercomtel investiu R$ 38,3 mil no projeto.
Ontem pela manhã, em entrevista coletiva, além da apresentação de alguns resultados do programa, foi lançado um novo processo de manejo de baterias descartadas. O processo evitará curtos-circuitos e vazamentos dos baterias e o contato direto dos funcionários da operadora com resíduos tóxicos.
Empresas de reciclagem destróem o material, revendendo como sucata o plástico e o aço. O pó dos eletrodos, composto por óxidos, é utilizado como pigmento na indústria de tintas, produto comercializado até no exterior.
Esse pó é que faz a bateria operar. Uma pergunta que as pesquisas tentam responder é: ''Será que esses eletrodos não poderiam se tornar ativos novamente?'' Essa é uma das hipóteses que a pesquisa tentará comprovar.
Por enquanto, o investimento de R$ 20 mil da Fundação Araucária será aplicado no estudo da viabilidade técnica, econômica e comercial do projeto. A intenção é contratar o trabalho de uma empresa de consultoria para fazer uma ampla análise do mercado, levantando, por exemplo, quantas baterias são descartadas por mês no Paraná e quanto custaria para o usuário final a reciclagem elétrica da bateria.
Se conseguir provar a viabilidade, o projeto caminhará para a segunda fase, podendo receber até R$ 200 mil da fundação para o desenvolvimento de um protótipo de um aparelho para a reciclagem eletroquimica dos eletrodos. O prazo de financiamento da pesquisa é de dois anos.
''Além da questão ambiental, o resultado da pesquisa mostra para a comunidade o trabalho de pesquisadores da nossa universidade. Também facilitará o acesso de algumas pessoas à telefonia celular. Hoje, quando uma pessoa compra um aparelho usado, a vida útil da bateria não compensa o investimento'', ressalta o vice-presidente da Sercomtel, Oscar Bordin.


