Projeto que tira crianças da rua está paralisado
Projeto que tira crianças da rua está paralisado
Lucilia Okamura
Dorico da SilvaEm busca de apoioMonitoras do projeto Brinque UEL: problema é falta de recursosA Associação dos Moradores do Conjunto Violin (zona norte de Londrina) procura apoio da iniciativa privada e do poder público para dar continuidade a um projeto voltado às crianças, o Brinque UEL. Desenvolvido em parceria com a Universidade Estadual de Londrina (UEL), o projeto, segundo os moradores, está paralisado desde dezembro do ano passado.
Voltado ao atendimento de crianças de 4 a 12 anos, o Brinque UEL começou a ser desenvolvido no centro comunitário do Conjunto Violin em 1996. Professores e estagiários da UEL ofereceram treinamento aos monitores (voluntários da comunidade), responsáveis pelas crianças. Chegamos a atender 90 crianças dentro do projeto, relata a monitora Raimunda Bezerra.
O atendimento ocorria de segunda a quinta-feira, das 8 às 11 horas e das 14 às 17 horas. As crianças brincavam, confeccionavam brinquedos, liam revistas e livros, sempre com o acompanhamento de algum monitor, observa Raimunda Bezerra.
A monitora conta que os problemas para dar continuidade ao projeto começaram quando os voluntários começaram a deixar o projeto. Em certa época estávamos com oito monitores, mas, como o cargo não é remunerado, eles foram largando, explica. Hoje estamos apenas em três monitoras e o projeto está parado, completa.
Raimunda Bezerra afirma que as monitoras querem dar continuidade do projeto principalmente para evitar que as crianças fiquem nas ruas. A criança na rua pode ser levada à marginalidade, afirma. Outra monitora, Maria Helena dos Santos, conta que a filha Rosane, 13 anos, participava do projeto. Ela desenvolveu muito a criatividade e o rendimento na escola melhorou, observa.
Na tentativa de continuar o trabalho, as monitoras contam que estão procurando apoio da iniciativa privada e também da Prefeitura de Londrina. Elas afirmam que seria preciso ampliar o centro comunitário para criar um espaço específico para o projeto, além de recursos para o pagamento de monitores.
O presidente da Associação dos Moradores, José Oliveira, encaminhou em março correspondência à prefeitura, solicitando providências. Não tivemos resposta até agora, lamenta Raimunda Bezerra.
A supervisora do projeto e professora da universidade, Marilicia Palmieri, explica que o Brinque UEL será reestruturado para atender a comunidade do Violin. Segundo ela, o projeto poderá seguir a forma de oficinas - de reciclagem de papel e pintura em aquarela, entre outros -, com o envolvimento de professores e alunos de uma escola do bairro.
Outra possibilidade é de envolver os pais no projeto. Marilicia Palmieri conta que um grupo de estudantes de psicologia está fazendo um estudo junto aos pais de crianças do Violin para verificar a possibilidade de trabalhar com eles. Se o projeto acabar, sabemos que os maiores prejudicados são as crianças. A UEL quer dar continuidade ao trabalho, mas depende de parcerias, ressalta.
O coordenador de Extensão à Comunidade da UEL, professor Osvaldo Calzavara, ressalta que a proposta do projeto não é de fazer assistencialismo, daí a necessidade de trabalhar em parceria com a comunidade. Ele informa que o Brinque UEL é desenvolvido bem em outros locais, como no Conjunto Parigot de Souza (zona norte) e no Conjunto Saltinho (zona sul).
A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Ação Social confirmou que recebeu a correspondência enviada pela Associação dos Moradores do Violin. De acordo com a assessoria, dois técnicos da Ação Social estão verificando como funciona o projeto, para depois analisar o pedido de apoio à comunidade.





