Projeto propõe limpeza visual
O tipo de poluição que mais recebeu atenção do poder público neste ano é a visual. O projeto Cidade Limpa, de autoria do poder executivo, tramita na Câmara Municipal. O objetivo é disciplinar o uso de publicidade externa nas ruas e avenidas da cidade. E prevê também a proibição total dos outdoors.
De acordo com a professora do Departamento de Arquitetura da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Denise de Cássia Rosseto Jannuzzi, o excesso de informes publicitários concentrados em determinados locais da cidade, que provocam confusão visual, é caracterizado como poluição visual.
E na cidade não faltam pontos de abuso das propagandas externas. Avenidas e ruas importantes como a Madre Leônia Milito, Sergipe, Calçadão, Dez de Dezembro, entre outras, são apontadas como áreas onde a publicidade excessiva domina. Segundo ela, no entanto, a situação melhorou recentemente.
A poluição visual é caracterizada tanto pelo número excessivo de peças publicitárias como pelo tamanho de cada uma. E o excesso, aponta, não é vantajoso para o próprio anunciante. Um informe publicitário muito grande ocupa muito espaço, chama muito a atenção e nem sempre a empresa passa a informação que deseja, avalia.
Além de prejudicar quem passa pela rua, que tem a atenção desviada pelos anúncios, a poluição visual provoca outros tipos de danos, como prejuízos ao patrimônio arquitetônico e histórico. Também há a poluição visual que se confunde com a sinalização de trânsito e pode provocar acidentes.
Para a arquiteta, o projeto de lei elaborado pela administração municipal é genérico e precisaria de ajustes para que o controle seja efetivo. Londrina deveria fazer um projeto mais detalhado. Não é só uma questão de ter a lei, é ter a responsabilidade de querer uma cidade mais limpa e com regras mais claras, declara.
A legislação ideal, acredita, inclui regras tanto para imóveis públicos quanto privados e que evite exageros. Você é obrigado a olhar para informes publicitários para os quais você não quer olhar. E isso é um incômodo, ressalta. A consequência de evitar exageros é uma paisagem mais agradável e uma valorização imobiliária.
O projeto recebeu parecer favorável da Comissão de Justiça e está em fase de análise nas comissões de Finanças e Orçamento, Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente. Os vereadores também devem promover uma audiência pública para discutir o projeto no início de outubro.
O procurador jurídico da prefeitura Vicente Marques explicou que o projeto londrinense é diferente do paulistano porque optou por regulamentar apenas a publicidade no imobiliário urbano. A regulamentação do mobiliário, como pontos de ônibus e relógio, será feita posteriormente. O projeto determina também que os particulares terão até 31 de dezembro para se adequarem à nova legislação, ressalta. Ele acrescenta que este é o prazo para que a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) estruture-se para fazer a fiscalização da lei, que prevê tamanhos limites de anúncios e a punição para quem desrespeitar as regras. (F.R.F.)





