Um projeto em trâmite na Câmara de Vereadores de Campo Mourão pretende criar creches domiciliares para atendimento de crianças entre 6 meses e 7 anos de idade. As creches alternativas seriam cuidadas por ‘‘mães crecheiras’’ treinadas pela prefeitura. A idéia foi apresentada pelos vereadores José Gilberto de Souza e Maria Verci Ribeiro, ambos do PDT.
Segundo o projeto, poderão virar mães crecheiras mulheres que tenham dependências físicas e higiênicas para atender pelo menos 10 crianças. Elas receberiam cursos periódicos sobre noções de higiene e saúde e sobre métodos pedagógicos aplicáveis às crianças usuárias do programa. Os cursos seriam ministrados pelas secretarias de Saúde e Educação.
‘‘O programa vai facilitar à prefeitura o atendimento de todos os pontos do município’’, diz a vereadora Maria Verci. Segundo ela, a creche domiciliar deverá ser equipada com materiais da prefeitura e atender as crianças em regime de semi-internato. O projeto também prevê que só poderão ser atendidas crianças de famílias de baixa e quem tenham mães tabalhando fora.
Absurdo ‘‘A prefeitura terá economia por não precisar construir novas creches’’, frisa Souza. O secretário municipal de Bem-Estar Social, José Haito Doi, no entanto, considera o projeto ‘‘absurdo’’. ‘‘Os vereadores estão partindo de uma concepção antiga’’, diz. ‘‘A própria legislação não permite mais que as creches funcionem desse jeito’’.
Doi lembra que as creches de todo o País têm até 1999 para se adequar às exigências da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Ela prevê a transformação das creches em escolas de educação infantil. ‘‘Aprovar esse projeto é perda de tempo’’, ressalta. ‘‘Mesmo que ele seja aprovado, não poderá ser aplicado por ir contra a legislação federal’’.
Campo Mourão tem atualmente nove creches mantidas pela prefeitura, que atendem cerca de mil crianças com até seis anos. Há também uma creche particular, com cerca de 200 crianças matriculadas.

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