Lucinéia Parra
De Maringá
A Câmara de Vereadores de Sarandi (7 km a leste de Maringá) aprovou por unanimidade na noite de anteontem o projeto de lei que autoriza o prefeito a reduzir a tarifa de água. Pelo projeto, a tarifa mínima ficará 25% mais barata, passando de R$ 8,00 para R$ 6,00 os 10 metros cúbicos.
O prefeito Júlio Bifon (PSDB) não quis comentar sobre a votação de anteontem. Se aprovado em segunda discussão na próxima segunda-feira, o projeto deverá desencadear mais uma briga entre o poder Legislativo e Executivo de Sarandi por causa do sistema de abastecimento de água. No ano passado, o prefeito queria privatizar o sistema, mas acabou voltando atrás depois de muita discussão com os vereadores de oposição que não aceitavam a privatização.
De acordo com o vereador José Aparecido da Silva (PT), a tarifa da água em Sarandi é uma das mais caras do Paraná. ‘‘Em toda região onde o sistema é municipalizado, a tarifa da água é de R$ 4,50. Por que em Sarandi é quase o dobro?’, indaga. Segundo ele, nos municípios onde o sistema de abastecimento é mantido pela Sanepar ou pelo setor privado a tarifa é, em média, R$ 7,50. ‘‘Só que as empresas privadas visam lucros, o que não pode acontecer com o sistema municipalizado’’, opina.
Levando-se em conta que em Sarandi existem 17 mil hidrômetros instalados, a queda na arrecadação do município, de acordo com o projeto, será de R$ 34 mil. ‘‘Não é um valor alto se considerar que a prefeitura arrecada em média R$ 250 mil por mês’’, garante Silva.
Procurado ontem pela Folha, o prefeito Júlio Bifon não quis fazer comentários. Um assessor dele disse que o prefeito não tinha conhecimento do projeto. Caso o prefeito venha a vetá-lo, os vereadores prometem mobilizar a população. ‘‘Vamos pressionar o prefeito a sancionar a lei e depois cumpri-la’’, alerta Silva.
A possibilidade de redução da tarifa de água já anima os moradores de Sarandi. Considerada como cidade-dormitório de Maringá, Sarandi tem uma população carente expressiva. Moradores de bairros periféricos têm uma renda per capita de, no máximo, dois salários mínimos.
A dona de casa Beatriz Lopes Carvalho, 54 anos, depende de um dos filhos para manter a casa. ‘‘O salário dele não chega a R$ 200,00. Se o preço da água for mesmo reduzido vai ser bom porque a água e a luz estão muito caras’’, disse. Ela paga R$ 10,00 por mês de água e cerca de R$ 30,00 de luz.
A também dona de casa Cristina Aparecida Damata, 29 anos, garante que se for preciso vai até a Câmara de Vereadores pressionar para que o projeto seja aprovado. Segundo ela, as tarifas dos serviços públicos deveriam ser mais acessíveis. ‘‘Tudo está muito caro.’’

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