Projeto prevê reaproveitamento da água em casas populares
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sexta-feira, 17 de janeiro de 2003
Lucinéia Parra<br> Equipe da Folha 
Maringá O vereador de Maringá João Beltrame (PV) elaborou um projeto de lei que obriga o município a entregar as novas casas de conjuntos habitacionais populares com equipamento para reuso de água. O objetivo é fazer que as pessoas economizem água e passem a contribuir com o meio ambiente. O projeto deve ser um dos primeiros a ser votado após o recesso do Legislativo.
''Por ser uma cidade com identidade de cidade ecológica, Maringá tem que ser uma das primeiras do Estado a colocar em prática um projeto que valorize a água'', justifica. Segundo ele, a obrigatoriedade da instalação de equipamentos que permitam o reuso da água é uma forma de pressionar as pessoas a refletirem sobre a escassez da água no mundo. ''Nós temos a cultura do desperdício, mas é preciso mudar isso porque hoje já temos um bilhão de pessoas no planeta sofrendo com a falta de água e em 2025 serão três bilhões de pessoas convivendo com a falta de água'', afirma.
De acordo com o vereador, o desperdício de água no Brasil gira em torno de 40%. ''É um índice muito alto'', critica. Para provar que não está exigindo algo impossível de se praticar, o ele convidou o professor Luiz Campestrini, idealizador de um equipamento que permite o reuso da água do chuveiro para o vaso sanitário.
Campestrini ganhou o prêmio Paraná Ambiental 2000. O equipamento inventado por ele consiste na instalação de uma caixa com capacidade para cerca de 200 litros de água sob o ralo do banheiro. A caixa contém um filtro e um motor bomba que joga a água utilizada no banho para o vaso sanitário. Com o equipamento, segundo Campestrini, é possível economizar até 30% do consumo diário de água de uma casa.
Outro equipamento inventado por Campestrini prevê a reutilização da água da chuva para fins de limpeza e para regar plantas. ''Com os dois equipamentos é possível uma economia no consumo da água em torno de 50%'', diz o professor. Com relação ao equipamento que prevê o reuso da água do chuveiro, Campestrini explica que além de ecológico e econômico, o equipamento também garante um ambiente agradável no banheiro já que a água utilizada no vaso sanitário contém o aroma do sabonete e shampoo usados pelos moradores a cada banho.
O custo do equipamento gira em torno de R$ 400,00, mas pode cair para R$ 300,00 com a produção e comercialização em grande escala. Segundo o vereador, a lei só torna obrigatório a instalação de equipamentos para reuso da água nos novos conjuntos habitacionais que serão construídos com recursos públicos.


