Londrina – Casas, prédios, imóveis desocupados, estabelecimentos comerciais, praças e parques se tornaram alvos fáceis dos pichadores que atuam em Londrina. Com falhas na fiscalização, principalmente durante a madrugada, a paisagem é alterada aos poucos e gera indignação em boa parte dos moradores.
No anfiteatro do Zerão, a quantidade de pichações assusta. A estudante Giane Mafra gosta de participar de eventos no local, mas aponta que o descaso na manutenção do espaço afasta os frequentadores. "Dá a impressão de abandono aqui. Se fosse bem cuidado, as pessoas frequentariam mais e acho que poderia diminuir o tanto de pichações", afirma.
Um projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados quer coibir a ação dos pichadores com um aumento na punição. A pena, que hoje varia de três meses a um ano de detenção, passaria a ser de um a quatro anos de prisão, além de exigir do responsável pelo ato o pagamento de uma multa. O valor ainda não foi definido.
Para pichações em geral, a proposta prevê que a pena aplicada varie de um a três anos de detenção. Quando a ocorrência for registrada em monumentos ou em locais tombados como patrimônio histórico, o projeto prevê uma punição entre dois e quatro anos de detenção.
A Guarda Municipal e a Polícia Militar dividem as tarefas de fiscalizar e impedir a ação dos grupos responsáveis pelos danos. Hoje, quando uma das equipes flagra a ação, o pichador é levado até a delegacia, onde assina um termo circunstanciado e é liberado em seguida. Ele responde pelo crime ambiental na Justiça e a pena pode ser revertida na execução de serviços sociais.
O delegado operacional da Polícia Civil, Edgard Soriani, explica que a pena entre dois e quatro anos faz com que o responsável pelo crime só seja liberado mediante o pagamento de fiança com o valor mínimo de um salário mínimo. No entanto, para o delegado, o ideal seria fazer com que o responsável pela pichação fosse obrigado a recuperar o patrimônio. "A pena em si não é educativa. A proposta é absurda e não resolve. As cadeias já estão superlotadas. Eles deveriam pintar os locais pichados ou, pelo menos, pagar pela reparação", avalia.
Comerciantes da região central já perderam as contas dos prejuízos causados pelos vândalos. Na Rua Goiás, fachadas de várias lojas foram danificadas. "A gente nem vai pintar de novo porque eles podem voltar a fazer isso e o prejuízo pode ser ainda maior", diz uma comerciante que prefere não ser identificada. Proprietários de diversas lojas da região revelam que se sentem refém dos grupos que atuam na cidade. "A punição realmente deveria ser maior", acredita a funcionária de outro estabelecimento comercial.

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