Luciana Pombo
De Curitiba
A criação de uma Polícia Científica, que seria a responsável por laudos e investigações aprofundadas de balística e DNA de criminosos, deverá ser discutida ainda este ano na Assembléia Legislativa. A intenção é desvincular o Instituto Médico Legal (IML) e o Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil, dando autonomia ao novo órgão.
A proposta faz parte de uma emenda constitucional elaborada pelo deputado estadual Fernando Ribas Carli (PPB), que já foi químico legista. ‘‘Seria uma polícia diferente, de pesquisa. Uma polícia independente e que trabalharia com mais recursos, aumentando a agilidade na conclusão de casos’’, argumenta ele.
De acordo com a emenda, que terá que ser analisada por uma comissão a ser designada pela mesa executiva da Assembléia Legislativa, a Polícia Científica serviria de suporte técnico para o Judiciário. ‘‘Com essa mudança, ela seria subordinada diretamente à Secretaria de Estado da Segurança Pública e teria maior condição de exercer sua função’’, afirma o deputado. Com a modificação, o Estado passaria a ter três polícias, que funcionariam de forma integrada, mas com recursos diferentes disponíveis no orçamento estadual.
Atualmente, o Instituto de Criminalística dispõe de poucos recursos para a realização dos exames tradicionais no local do crime e de DNA – muito usado em casos de estupro e de identificação de cadáveres carbonizados. Apesar de contar com projetos baratos para a agilização dos exames, um teste de DNA hoje pode demorar quase seis meses para ficar pronto por causa da demanda reprimida, que é de 100 pedidos. Por mês, são realizados apenas entre dois e três exames de DNA.
Um estudo feito recentemente pelo Instituto de Criminalística mostrou que seriam necessários 320 funcionários e 20 sedes pelo interior do Estado para atender a demanda de pedidos feitos pelas delegacias de polícia. Atualmente, a instituição conta com 160 funcionários e oito sedes regionais.
O presidente da Assembléia Legislativa, Nelson Justus (PTB), diz que vê com bons olhos a aprovação da emenda constitucional. Ele pretende colocar o assunto em pauta ainda este ano.
Mesmo com perspectivas de que o projeto entre na pauta de votação ainda este ano, muitos parlamentares apostam que o assunto deverá enfrentar fortes resistências dentro da Polícia Civil. ‘‘Os delegados não têm interesse nesse tipo de emenda constitucional’’, diz um deputado que não quis ser identificado.

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