Curitiba - Curitiba pode ganhar um crematório municipal se for aprovado o projeto de lei 05.00085/2008, que tramita na Câmara Municipal, condicionando o serviço à doação de órgãos. De acordo com o projeto de lei, os serviços seriam prestados pelo município de forma gratuita, por meio de convênios e parcerias com empresas patrocinadoras, tanto da esfera pública quanto privada.
A infraestrutura do crematório contaria com um centro especializado com salas de cirurgias para extração de órgãos e condições de acondicionamento até o traslado para os locais de transplante aos receptores. De acordo com o autor da proposta, o vereador Mário Celso (PSB), o principal objetivo é aumentar o número de doações de órgãos e reduzir a fila dos pacientes que esperam por um transplante, que seria hoje de 70 mil pessoas em todo o Brasil.
O vereador já admite que o projeto deve receber emendas para incluir, no direito a receber o serviço, as famílias que gostariam de realizar a doação mas não poderiam fazê-la por questões de saúde do doador. ''Outros vereadores propõem que o equipamento público possa ser utilizado por pessoas que não sejam doadores, mediante o pagamento de uma taxa normal, dentro dos valores de mercado'', disse o vereador.
A assistente social da Central Estadual de Transplantes do Paraná, Glaucia Repula, discorda das condições previstas no projeto. Apesar de reconhecer a boa intenção da proposta, ela acredita que a medida seria uma forma de ''compra'', de convencimento das pessoas sobre a doação de órgãos. ''Essa seria uma lei para pobre doar, algo feito em troca de recursos'', disse.
Ela questiona ainda que o serviço público não poderia realizar esse tipo de distinção. ''Tratando-se de doação, a gente não pode vincular nada. Neste caso, de um crematório público, o serviço deveria atender todos, sem qualquer distinção'', disse.
Para a assistente social, o principal obstáculo ainda é a falta de informação. ''A doação de órgãos tem que ser livre e consciente, é mais importante trabalhar a conscientização das pessoas'', diz. O segundo maior fator de dificuldade é informar a condição de doador às famílias. Ela diz que quem deseja ser doador precisa informar os parentes de sua decisão, o que pode facilitar a autorização do procedimento.
Os hospitais precisam ainda assumir outros compromissos, de acordo com a assistente social. ''É necessário que eles notifiquem os casos de possíveis doadores'', afirmou. Além da notificação, cada hospital deve também manter uma equipe preparada para tratar do assunto com as famílias, o que, inclusive, é previsto em lei.

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