O programa ‘‘Médico de Família’’, que hoje atende aproximadamente 110 pacientes na área urbana de Londrina, não será extinto pela atual administração. Quem garante é o superintendente da Autarquia do Serviço da Saúde, Agajan Der Bedrossian.
Os boatos de que o programa poderia acabar surgiram semana passada e coincidem com o final do contrato de trabalho, firmado entre a Autarquia e o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar), que se expira hoje. A principal característica do projeto, onde trabalham cerca de 30 profissionais, é prestar atendimento e acompanhar a evolução do estado clínico na própria casa do paciente, sem necessidade de locomoção para hospital.
‘‘Alguns pacientes chegaram a ligar para o gabinete do prefeito, pedindo para que o programa não acabasse. Só que em momento algum eu disse que iria acabar com ele. Inclusive o prefeito, Antonio Belinati, vê com simpatia o programa. Infelizmente está havendo terrorismo psicológico junto a alguns pacientes e a gente não sabe para que fins’’, disse o superintendente.
Agajan explica que, desde ontem, a prefeitura começou a fazer novo contrato, priorizando a contratação dos atuais profissionais que estão atuando no programa. ‘‘Essa data já estava pré-definida, todos os profissionais sabiam disso’’, afirmou o secretário. ‘‘Agora, quando termina um contrato, deve-se estudar um outro, inclusive com novas bases. E é possível que nós façamos algumas correções de rota.’’
Entre essas correções, diz o superintendente, está a readequação salarial dos profissionais que trabalham no ‘‘Médico de Família’’. Agajan preferiu não comentar valores, mas, segundo a Folha apurou, um profissional do ‘‘Médico de Família’’ ganha até 5 vezes mais do que um da rede pública municipal. E isso vai acabar. ‘‘Nós vamos fazer isso até levando em conta que todo mundo na Prefeitura teve seu Natal somente no dia 23 de janeiro, enquanto esse pessoal recebeu rigorosamente em dia, no mês de dezembro’’. Agajan lembrou que só na Autarquia de Serviço da Saúde trabalham 1.530 servidores.
Outra ‘‘mudança de rota’’, apontada pelo superintendente da Autarquia do Serviço Municipal da Saúde, está no nome do programa, que vai deixar definitivamente de ser ‘‘Médico de Família’’ para se tornar Programa de Internação Domiciliar (PID). ‘‘É uma questão até de respeito com os demais profissionais, porque o trabalho é feito em equipe, com médico, enfermeiro, fisioterapeuta, motorista ... Todos eles têm seus devidos valores’’, destacou.
O novo contrato com os profissionais do programa será novamente temporário, com duração de três a cinco meses. Mas a intenção da Autarquia do Serviço de Saúde é estabilizar o programa, tornando-o permanente. ‘‘No futuro poderá haver até concurso público aberto a todos os interessados’’, informa. Ele lembra que isso não pode ser feito já porque depende de projeto de lei e aprovação pelo Legilativo, daí a necessidade de um tempo de maior estudo.
Agajan Der Bedrossian esclarece que, ao contrário de acabar, o programa deverá ser incrementado em 97, com aumento da estrutura física e de pessoal. Esse investimento, segundo ele, reflete a experiência positiva do programa em outras cidades, como Santos (SP), onde foi implantado há mais de quatro anos. ‘‘E é bom não somente para o paciente, que não precisa sair do conforto da casa e da família, como também porque alivia a demanda dos hospitais.’’
O superintendente confirmou também que o programa ‘‘Saúde da Família’’, que atende nos distritos de Paiquerê, Irerê, Guaravera e Lerroville, continuará sendo mantido pela prefeitura. Esse programa foi premiado no ano passado pelas Fundações Ford e Getúlio Vargas e considerado, entre 630 inscritos, como uma das cinco melhores iniciativas de administração pública do Brasil.

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