Projeto pioneiro foi implantado há 5 anos
Projeto pioneiro foi
implantado há 5 anos
O Instituto de Pesquisa e Assessoria Tecnológica (Intec) realizou cinco ensaios técnicos para avaliar a qualidade dos 20 sistemas construtivos da Vila Tecnológica. O trabalho reuniu seis professores e 20 estudantes dos cursos de Engenharia, Arquitetura e Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Segundo o coordenador do Intec, César Danchi Daher, os resultados foram encaminhados para as empresas construtoras para que os problemas detectados fossem corrigidos, mas os detalhes não são divulgados.
Os testes com as construções foram realizados dentro da Vila Tecnológica. Os alunos fizeram entrevistas com os moradores para verificar o grau de satisfação com as casas e foram feitas análises detalhadas dos projetos arquitetônicos, enfocando aspectos como insolação e ventilação. O estudo completo fez levantamentos sócio-econômico, patológico, avaliações dos sistemas construtivos e arquitetônicos e análise do conforto ambiental das casas. Os resultados foram relatados em oito volumes, com mais de 1,2 mil páginas.
Os cinco ensaios realizados foram de resistência estrutural das paredes (com o lançamento de sacos de 90 quilos de areia contra a construção), dureza e regidez do material (arremesso de bola de metal para verificar o grau de achatamento das paredes), resistência das paredes a cargas pontuais (cargas de até 100 quilos, que ficam por 24 horas sobre a parede para determinar deformações), capacidade de absorção de umidade (teste de estanqueidade que reproduz maior precipitação pluviométrica registrada em Curitiba) e testes acústicos e térmicos. Tinhamos que verificar a qualidade das moradias e, por esta razão, fomos rigorosos nos testes, argumenta Daher.
Intencionalmente, as casas foram avaliadas após dois anos e meio de uso. Para melhores resultados, foi construída uma casa tradicional na Vila Tecnológica. Comparamos os resultados da moradia nas demais casas com a residência tradicional e verificamos que algumas casas são ainda melhores do que as tradicionais, utilizadas em Curitiba, diz.
Entre as casas avaliadas, Daher citou o exemplo da Casa do Pará, que usa tecnologia não aprovada para o Estado. É uma casa muito fraca e fria, feita para os padrões do Nordeste, afirma ele. De acordo com Daher, ela foi desaprovada no teste de rigidez e as paredes acabaram arrebentando durante os testes. Nas demais casas temos resultados excelentes em alguns itens e péssimos em outros, mas todas podem ser reestruturadas e utilizadas com sucesso, salienta.
A primeira fase da pesquisa foi entregue em fevereiro de 1998. A intenção é repetir a experiência a cada cinco anos, mas os ensaios esbarram na falta de recursos financeiros. O custo para a continuidade dos testes é de cerca de R$ 1,3 mil mensais. Fizemos apenas cinco ensaios, enquanto a norma mundial estabelece 28 e a nacional, 14, diz ele. A Vila Tecnológica de Curitiba surgiu há cinco anos. (L.P.)





