Em um dos pontos de ônibus da avenida Serra da Graciosa, jardim Bandeirantes (zona oeste de Londrina), alguns livros aguardavam novos leitores dispostos a levá-los para casa. A ação faz parte do projeto Achados Literários, realizado neste sábado (26), pela Vila Cultural Cemitério de Automóveis e Festival Literário de Londrina - Londrix, que distribuiu dois mil novos livros em vários pontos da cidade. Objetivo é incentivar a leitura na cidade.

"O verdadeiro analfabeto é aquele que sabe ler, mas não lê...". A frase de Mário Quintana foi impressa na filipeta de divulgação colocada na interna dos livros. "Nós éramos parceiros da ONG Mundo que Lê, que trabalhava a leitura realizando esta ação sob o nome Abandono dos Livros. Com o encerramento das atividades da ONG, mudamos para Achados Literários e continuamos. Estamos desde 2008 praticando esta ação", conta Christine Vianna, diretora da Vila Cultural Cemitério de Automóveis e do Festival Literário de Londrina - Londrix.

Imagem ilustrativa da imagem Projeto 'perde' livros em Londrina
| Foto: Lais Taine



A proposta é recolher doações de autores e editoras que disponibilizam livros novos para "perdê-los" propositalmente em locais públicos e estabelecimentos comerciais da cidade. Na feira livre do jardim Bandeirantes, por exemplo, foram colocados vários títulos entre as barracas, na esperança de que algum cliente pudesse recolhê-lo para desfrutar de uma nova história.

Imagem ilustrativa da imagem Projeto 'perde' livros em Londrina
| Foto: Lais Taine



"Legal, né!? Eu acredito que umas três pessoas a cada 10 têm hábito de ler, eu tenho esse costume. Quando se adquire um, consegue viajar bastante, o livro só acrescenta", conta o vendedor de consórcios Luiz Fernando da Silva, 32, que viu o livro na cadeira da barraca de pastel, mas só pegou nas mãos quando soube que fazia parte de um projeto. "Eu vi, mas não sabia se era de alguém, aí ouvi o pessoal falando que era para quem quisesse pegar", conta folheando algumas páginas. "Muito legal o projeto, tenho interesse em ficar com ele", sorri.

Luiz Fernando da Silva encontrou um livro enquanto trabalhava na feira
Luiz Fernando da Silva encontrou um livro enquanto trabalhava na feira | Foto: Lais Taine



Na praça ao lado, no telefone público, no banco do ponto de ônibus. Um morador passa, percebe a presença deles, olha curioso, mas não ousa mexer no que não lhe pertence. Outro até para, folheia algumas páginas, mas devolve no lugar. Junto com os livros, vem a informação: "você achou um livro do projeto 'Achados Literários'", mas poucos se atentam.

Mário Pereira, 83, aposentado e morador do bairro, teve a ousadia de saber mais sobre o que acontecia. "Eu vi o pessoal colocando, eles falaram que podia pegar e eu achei estranho, perguntei se não era pegadinha", ri. Sentado no banco, Pereira percorria as páginas do livro Inverso Aparente, de Diego Navarro. "Vou ver se esse me interessa, de repente eu levo", avisa. Alguns minutos depois, o senhor atravessa a rua com o livro nas mãos.

Mário Pereira encontra livro em praça no jardim Bandeirantes: "perguntei se não era pegadinha"
Mário Pereira encontra livro em praça no jardim Bandeirantes: "perguntei se não era pegadinha" | Foto: Lais Taine



Para Vianna, essa é uma forma de incentivar a leitura entre a comunidade. "São duas mil unidades, ainda é pouco em vista do número de habitantes, mas nas últimas edições recebemos retorno de algumas pessoas que encontraram os livros e elas escreveram agradecendo", orgulha-se. A vila cultural possui outros projetos de incentivo à leitura e oferece oficinas no local. Saiba mais no link: Vila Cultural Cemitério de Automóveis.

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