Projeto para controle do Aedes aegypti integra universidades
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terça-feira, 07 de fevereiro de 2017
Simoni Saris<br>Reportagem Local 

O mosquito Aedes aegypti está presente em quase 80% dos municípios paranaenses. Das 399 cidades do Estado, 315 têm infestação confirmada do inseto transmissor da dengue, arboviroses e febre amarela urbana, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa). De cada dez cidades, oito já registraram a presença do mosquito em imóveis residenciais. Mas tão preocupante quanto a incidência do Aedes aegypti é a constatação de que o mosquito tem se espalhado pelo Estado e hoje é encontrado em regiões que historicamente nunca haviam registrado sua presença. A doença também vem se espalhando. Entre agosto de 2016 até agora, o Paraná contabiliza 464 casos de dengue, sendo 394 autóctones e 70 importados, três de zika, dos quais um é autóctone, e 14 de chikungunya, com cinco casos autóctones e nove importados.
Os números evidenciam um grave problema de saúde pública e grande parte das ações ainda é centralizada no combate e no controle das larvas do Aedes aegypti, mas o professor do Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Mario Navarro acredita que mais eficientes seriam as pesquisas em torno do vetor, que permitiriam saber se os insetos estão ou não contaminados com o vírus da dengue. Há alguns anos ele conduz na UFPR um trabalho de pesquisa nesse sentido, mas a partir de 2017 o projeto irá receber R$ 1,3 milhão em recursos públicos e deverá ter um salto significativo. O trabalho desenvolvido por Navarro foi selecionado na Chamada Pública do Ministério da Saúde para apoiar projetos de pesquisa no combate ao zika vírus e no enfrentamento do Aedes aegypti. Além da UFPR, estão envolvidas no trabalho a Universidade Estadual de Londrina (UEL), a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila).
O projeto coordenado por Navarro atua em três vertentes: vigilância entomológica, métodos de detecção eficientes do vírus no mosquito antes de atingir a população e desenvolvimento de um larvicida biológico barato e de baixo impacto ambiental. A verba de custeio, proveniente do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), irá financiar a compra de material de consumo e equipamentos. O trabalho terá duração de quatro anos, com prazo de conclusão para 2020.
PONTOS CRÍTICOS
Na UFPR, os pesquisadores lançaram um projeto-piloto em Paranaguá (Litoral), em conjunto com a 1ª Regional de Saúde, para detecção dos vírus no Aedes aegypti antes que ele contamine um indivíduo, causando a dengue, zika ou chikungunya. Para isso, os vetores são coletados e analisados e a partir dessa análise é possível traçar um perfil do mosquito em circulação em cada região da cidade e desenhar um mapa dos pontos mais críticos.
"É importante tentar o esforço conjunto porque à medida que se faz a vigilância, o vetor é retirado de circulação", disse Navarro. "O mais importante que eu vejo é que o projeto coloca as instituições de pesquisa no estudo de um problema que pode se agravar. Se a gente olhar um quadro de 399 municípios paranaenses e quase a totalidade deles tem a presença do vetor, para o estabelecimento de uma epidemia não é difícil." A pesquisa, salientou ele, ainda contribui para o desenvolvimento científico e formação de recursos humanos especializado no Paraná.
Além da pesquisa de campo, com o trabalho de coleta e análise do vetor, Navarro atua na construção de um software que irá ajudar a difundir os resultados da pesquisa. "A nossa ideia é oferecer um software gratuito de colocação de dados, trabalhar só com software aberto que seja de fácil manipulação, por exemplo, para um técnico de nível médio. "A gente já fez um piloto, mas ainda não consegui levar para Paranaguá para testar. Para isso estou comprando um GPS."


