'Projeto para aeroporto é superficial'
Áureo Nogueira
O projeto de reforma e ampliação do Aeroporto de Londrina - apresentado em grande estilo pelo presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), brigadeiro Eduardo Pettengill, na presença do prefeito Antonio Belinati - é um cala boca. Só foi preparado porque houve grande pressão. Mas desconsidera a maior necessidade, que é a modernização dos equipamentos de segurança e proteção ao vôo. A opinião é do empresário e piloto privado e comercial Marco Túlio Tomasetti, também ex-presidente do Aeroclube de Londrina.
Tomasetti entende que a mobilização da sociedade organizada deve continuar, para exigir da Infraero e da Prefeitura um projeto que realmente represente a modernização do aeroporto local. O projeto deveria considerar todo o sítio aeronáutico, de acordo com o que determina convenção internacional subscrita pelo governo brasileiro. Além da implantação do equipamento de auxílio à navegação aérea, pouso e decolagem (ILS-1, ALS, radar de área e prolongamento da pista), aponta.
O ex-presidente do Aeroclube entende que o projeto apresentado é um cala boca porque tenta impressionar a opinião pública mas não resolve os problemas da estrutura aeroportuária. O projeto destaca a ampliação da área construída do terminal de passageiros, mas na realidade apenas prioriza a implantação de um shopping center. Não apresenta, sequer, o finger (passarela que liga a aeronave às salas de embarque e desembarque). O conforto e as acomodações dos passageiros vão continuar pequenos. Além de que, equipamentos de auxílio ao vôo, cuja instalação já havia sido definida, foram esquecidos.
Fazendo um trocadilho com o nome da Infraero, o ex-presidente do Aeroclube disse que a preocupação da infra-aéreo é administrar aeroportos e não a infra-estrutura aeroportuária. O shopping center previsto no projeto representa mais uma fonte de renda. Como tudo indica, o maior interesse da infraaéreo é o lucro e não a segurança dos vôos e a comodidade dos passageiros.
O empresário e piloto comercial entende que o terminal de passageiros e a torre de controle deveriam ser construídos do outro lado da pista de pouso e decolagem, na Avenida Salgado Filho. A torre na posição em que está, e também na prevista pelo projeto da Infraero, obriga os controladores a ficarem de costas para as aeronaves que se aproximam para o pouso, além de que ficam de frente para o Sol. Instalada do outro lado, resolvem-se ambos os problemas, aponta, acrescentando que também o terminal de passageiros deve ser construído do lado da Avenida Salgado Filho. Há muito mais espaço, inclusive para estacionamentos, terminal de cargas, depósito de combustíveis.
Tomasetti argumenta, ainda, que a construção do terminal de passageiro no lado da Salgado Filho possibilitaria a utilização prioritariamente da cabeceira do lado leste (saída para o Patrimônio do Limoeiro), o que alteraria as áreas de ruído e reduziria as limitações nas construções circunvizinhas. Além de que permitiria a utilização da pista de taxiamento para o uso de aeronaves leves, táxis aéreos e até linhas regionais. Esta pista já está homologada para pousos e decolagens. Assim, seria aumentada a capacidade de operação. E o atual terminal de passageiro poderia ser utilizado para esses procedimentos da chamada aviação geral.
Sobre a proposta de construção de novo aeroporto na Aviação Velha, próximo ao Patrimônio do Espírito Santo (zona sul), o ex-presidente do Aeroclube disse que é um investimento desnecessário. De acordo com Tomasetti, aeroportos fora da cidade é uma tendência que surgiu com o Concorde e está superada. Imaginavam que megaaeronaves, que apresentam altos índices de ruídos, exigiriam aeroportos distantes da cidade também por conta da necessidade de pistas longas. Mas o Concorde virou peça de museu.
O ex-presidente do Aeroclube argumenta, ainda, que o passageiro não abre mão do conforto e da comodidade dos aeroportos centrais. Basta ver os exemplos de São Paulo, entre os aeroportos de Congonhas e Cumbica; do Rio, entre o Santos Dumont e o Galeão; e de Belo Horizonte, Pampulha e Confins. As companhias aéreas até fazem propaganda do diferencial que representam o conforto e a comodidade dos aeroportos centrais.
Para Marco Túlio Tomasetti, os investimentos necessários para a construção de um novo aeroporto na Aviação Velha, previsto no Plano Diretor de Londrina, devem ser usados no aeroporto central. Aí, realmente teremos um aeroporto moderno, unindo segurança, conforto e comodidade. É exatamente o que o usuário deseja.A opinião é do piloto e ex-presidente do Aeroclube de Londrina, que considera proposta de reforma um cala boca
César AugustoCRÍTICASO piloto Marco Túlio Tomasetti próximo à maquete da Infraero, no Aeroporto de Londrina: Maior interesse da empresa é o lucro e não a segurança dos vôos e a comodidade dos passageiros





