Uma senhora grita compulsivamente e só pára quando leva um soco e um tapa no rosto. A agressora é uma garota jovem, bonita e de cabelos cacheados, que rendeu a idosa no banheiro. A violência interrompe os gritos, de madrugada, durante um assalto na casa de um policial, em Cambé. Momentos depois, a adolescente jovem e bonita, de nome fictício Maricler, é presa.
Maricler é uma dos 204 adolescentes que hoje vivem liberdade assistida e prestam serviço à comunidade através do Projeto Murialdo. Dirigido há três anos pela irmã Anagilda Zanella, da Congregação das Murialdinas de São José, o projeto funciona em parceria com a Escola Profissional e Social do Menor de Londrina (Epesmel).
Maricler é o exemplo claro do adolescente em contradição. Ao mesmo tempo que declara o desejo de se afastar do roubo, questiona como fazer isso. ''Eu não trabalho, você quer o quê?'', pergunta. Como ela, também pensa João. Para ele, que já morou em mocó, a falta de trabalho é o principal alavancador da violência.
Embora não tenha porte de arma, João tem um revólver calibre 38. ''Fico seguro, ninguém folga comigo'', diz o adolescente, explicando que ''tem cara que gosta muito de mandar, dominar mesmo''. Esta situação não assusta a equipe do Projeto Murialdo. ''Eles mudam, vão amadurecendo'', afirma a irmã Anagilda.
Segundo ela, os adolescentes infratores são arredios e desconfiam de promessas. O projeto se preocupa em ressocializá-los e fazê-los se sentirem cidadãos. Para tanto, precisam da ajuda de voluntários. ''É necessário o apoio de pessoas de boa vontade e que queiram doar um pouco de seu tempo em favor da vida dos adolescentes'', observa.
''A sociedade precisa fazer alguma coisa para mudar este quadro'', pede a religiosa. O primeiro curso gratuito para voluntários do Projeto será realizado na Epesmel (rua Angelina Ricci Vezozzo, 85 Parque das Indústrias Leves zona leste), na tarde deste sábado, das 14 horas às 18 horas, e na manhã de domingo, das 8 horas às 12 horas. ''Se o adolescente sentir apoio e suporte da sociedade, ele não agirá desta maneira'', comenta ela. Poderão se inscrever pais, casais, aposentados, universitários e, conforme a irmã Anagilda, ''pessoas de muito amor que acreditam na capacidade de recuperação do adolescente''.
Mais informações sobre o Projeto podem ser obtidas pelo telefone: (43) 3321-7488.

mockup