Projeto na zona norte transforma crianças em cidadãs
Cerca de 200 meninos e meninas do jardim São Jorge têm atividades no contraturno escolar; programa é mantido por uma ONG, que mantém convênio com a prefeitura
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de abril de 2019
Cerca de 200 meninos e meninas do jardim São Jorge têm atividades no contraturno escolar; programa é mantido por uma ONG, que mantém convênio com a prefeitura
Simoni Saris - Grupo Folha 
Todos os dias, cerca de 200 crianças de seis a 13 anos de idade moradoras do jardim São Jorge (zona norte de Londrina) e imediações são atendidas por um projeto que tem entre seus objetivos promover a convivência harmônica entre elas e atuar no fortalecimento de vínculos com a família e a comunidade. As atividades do projeto São Jorge são realizadas no período do contraturno escolar e, além de ajudar na socialização, contribuem para o desenvolvimento integral das crianças, com melhoras significativas no rendimento escolar. Para os pais, o projeto também representa a tranquilidade de saber que durante o período em que seus filhos não estão na escola, estão em um local seguro, protegidos da violência.
O projeto funciona por meio de convênio com a secretaria municipal de Assistência Social e é mantido pela ONG Cepas (Centro Esperança por Amor Social). As atividades acontecem de segunda a sexta-feira e, a cada bimestre, os educadores trabalham um tema diferente. As discussões abordam questões de interesse das próprias crianças. Entre março e abril, a saúde foi o tema trabalhado nas atividades do projeto. “A gente realiza atividades de participação cidadã, com conteúdos relacionados aos direitos humanos, saúde, cultura, meio ambiente. Ensinamos que eles são cidadãos que têm direitos e deveres para que saibam o papel deles na sociedade”, explicou a supervisora de projetos da unidade, Brunislawa Gibowski.
O projeto oferece ainda atividades artísticas, culturais e esportivas, com aulas de violão, flauta, teclado, piano, jazz, hip hop e taekwondo. Além de ajudar na socialização, a prática de esportes e o contato com as artes e a cultura favorecem o desenvolvimento integral do aluno e melhoram o desempenho escolar. “A gente vê muitas melhoras nas crianças e a própria família relata isso. Elas se tornam mais participativas e interessadas e aprendem a ter disciplina”, disse Gibowski.
ARTICULADA E EXPANSIVA
Rayca Custódio Garcia de Oliveira, 12, frequenta o projeto desde 2014 e relata as transformações pelas quais passou nesses cinco anos. De menina tímida, calada, com dificuldade para fazer amigos na escola, tornou-se uma criança extremamente articulada e expansiva. “Antes eu ficava sozinha em casa, era muito quieta. Aqui eu me expresso melhor, tenho mais coisas para fazer, brinco bastante. Faço as aulas de hip hop e taekwondo e melhorou muito a minha vida”, contou.
Quatro anos atrás, Beatriz Ramos Brassero, nove anos, pediu para a mãe levá-la ao projeto quando viu que os primos e outras crianças da vizinhança também frequentavam a unidade. Ela tinha vontade de participar das atividades, mas não imaginava as mudanças que teria em seu comportamento. “Eu não sabia conviver com outras crianças. Aprendi aqui. Aprendi também a conversar com as pessoas porque eu era muito tímida e isso foi o que mais valeu a pena. Também faço dança e taekwondo e acho muito importante participar. Fiz muitos amigos.”
“Se meus filhos não viessem aqui, iriam ficar sozinhos em casa, no computador e no celular, o que não é saudável. Saber que estão no projeto é uma segurança. Entre eles, aprendem a ter respeito um com o outro e, com os educadores, que são ótimos, têm contato com várias atividades. Eles se apresentam em outros locais e isso no futuro vai dar segurança para eles”, disse a auxiliar de serviços gerais Ana Cristina Julio Prestes, mãe de três filhos cadastrados no projeto.
AÇÃO COM A COMUNIDADE
Na última quinta-feira (25), no encerramento das atividades bimestrais sobre saúde, as crianças assistidas pelo projeto tiveram um dia de brincadeiras e os pais e familiares também foram convidados a participar. O setor de Endemias da Secretaria Municipal de Saúde montou uma exposição sobre o ciclo de vida do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e outras doenças, e lembraram os visitantes sobre as formas de prevenção à proliferação do inseto.
Participaram da ação também os profissionais da unidade básica de saúde da região e o Sesc, que garantiu as atividades recreativas. “Realizamos ações para as famílias, com saúde, esporte e lazer. Estamos abertos a toda a comunidade”, disse a coordenadora da unidade, Jaqueline Pacheco.


