PREVENÇÃO -

Projeto na UEL fala com crianças sobre afogamento

Alunos de três escolas municipais participam de atividades teóricas e práticas sobre os riscos de brincar na água sem a supervisão de adultos

Micaela Orikasa - Grupo Folha
Micaela Orikasa - Grupo Folha

A cada dia, 16 pessoas morrem no Brasil vítimas de afogamento e 52% das mortes na faixa etária de 1 a 9 anos ocorrem em piscinas e residências. Os dados são da Sobrasa (Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático),  com base nos dados de 2017, e precisam ser divulgados para evitar que esses incidentes continuem acontecendo, especialmente entre crianças.

  

Alunos da Escola Municipal Dalva Fahl Boaventura participaram de atividades na piscina da UEL na terça
Alunos da Escola Municipal Dalva Fahl Boaventura participaram de atividades na piscina da UEL na terça | Gustavo Carneiro - Grupo Folha
 


Tal preocupação se amplia por todo o País em novembro, por causa do Mês Nacional de Segurança Aquática. Em Londrina, esse olhar voltado para a prevenção acontece há dois anos, por meio de uma parceria entre o professor Ernani Xavier Filho, conhecido como “Piraju”, e o ex-vereador Douglas Pereira (PTB), em consonância com a lei municipal n° 12.416, que institui a Semana de Prevenção de Afogamentos.  




Piraju é do Departamento de Educação Física da UEL (Universidade Estadual de Londrina), onde os alunos são recebidos com uma aula teórica sobre as práticas de prevenção em meio aquático e onde também participam de atividades na piscina coberta.  


Nesta segunda edição, o projeto envolve cerca de 120 estudantes entre 7 e 12 anos, de três escolas municipais. Na manhã de terça (12), foi a vez dos alunos da Escola Municipal Dalva Fahl Boaventura, do conjunto Três Marcos (zona sul). Na quarta (13) é a escola Ruth Ferreira de Souza (zona oeste) e quinta (14), a escola municipal Vila Brasil (centro).  


Maria Eduarda Gomes Carvalho, 11, esteve pela primeira vez na UEL e estava feliz em entrar na piscina. “Eu não sei nadar. Só consigo ficar em pé e agora estou aprendendo a boiar um pouco. É muito bom estar aqui, aprendendo tudo isso e brincando”, diz.  


TRÊS MINUTOS

O professor lembra que o afogamento é muito rápido e que três minutos sem oxigenação são suficientes para causar danos irreversíveis ao cérebro. Além disso, ressalta que as férias de fim de ano e o clima quente levam muitas pessoas a frequentar piscinas, lagos e rios, o que aumenta muito os riscos.  


De acordo com a Sobrasa, mais de 90% das mortes ocorrem por ignorar os riscos, não respeitar limites pessoais e desconhecer como agir. Para se ter uma ideia do problema, 5.692 brasileiros morreram em 2017 por afogamento. Das ocorrências, 44% acontecem entre os meses de novembro e fevereiro. 


“Os adultos devem ter muito cuidado com piscinas em casa, baldes com água e até com as privadas, pensando nos riscos em crianças menores. Outra recomendação é para que os adultos não desviem a atenção com os aparelhos celulares. Crianças na água precisam de vigilância o tempo todo, pois também não se deve confiar nos flutuadores”, diz.

  

O aluno Renan Ronche Carneiro, 11, disse que tem piscina em casa e que aprendeu a nadar sozinho. "Mas hoje aprendi que não dá para confiar nas boias”, comenta.


A atividade na UEL também envolve graduandos de educação física, como Marlon Gibellato Nogueira.  “As crianças tentam fazer muitas coisas sozinhas, mas ainda não têm uma noção completa dos riscos”, diz, orientando os pequenos a sempre se movimentar dentro da água, manter a cabeça para fora e buscar sempre locais onde possam apoiar os pés e as mãos.


PREVENÇÃO


Confira  algumas dicas de prevenção: 

- Nunca é cedo demais para conversar com as crianças sobre segurança aquática. 

- Aprender a nadar é fundamental em qualquer idade. 

- Ensine as crianças a verificar a profundidade da piscina antes de entrar.  

- Sempre utilizar coletes salva-vidas em barcos, mesmo que você saiba nadar   

- Instrua as babás e cuidadores sobre os perigos da água e enfatize a necessidade de supervisão constante  

- Em locais públicos, todos devem respeitar as regras de uso, sinalizações e as determinações do guarda-vidas  

- Se uma criança estiver ausente ou desaparecida, sempre verifique primeiro os locais com água (piscina, banheiras, etc...)  

- Remova os brinquedos de dentro e ao redor da piscina quando não estiverem em uso 

-Mesmo que haja guarda-vidas é responsabilidade dos acompanhantes da criança cuidar delas 

-Nunca deixa uma criança sozinha perto ou dentro da água. A supervisão de um adulto é fundamental sempre

 

Fonte: Inati (Instituto de Natação Infantil) 


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