Em breve a pequena Lorena, de sete anos, vai conseguir enxergar melhor em sala de aula. Ela foi uma das 40 crianças que passaram por exame oftalmológico ontem, no Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A iniciativa faz parte do Projeto Pequenos Olhares, que está sendo lançado hoje e amanhã em todo o País pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e Frente Parlamentar da Saúde. Por causa do feriado hoje na cidade, o início dos exames foi antecipado pelos médicos londrinenses que aderiram ao projeto.
Durante toda a tarde, alunos de escolas municipais, com idades entre sete e dez anos, foram examinadas gratuitamente por um grupo de docentes e residentes do HC. Amanhã mais exames serão feitos no Hospital de Olhos e, posteriormente, em clínicas particulares. ''Este é um trabalho voluntário, que reflete a preocupação dos oftalmologistas com a saúde ocular das crianças'', definiu o médico Sérgio Pacheco. A meta, segundo os médicos participantes do projeto, é examinar todos os alunos da rede municipal.
Antes de serem encaminhadas aos médicos, as crianças passam por triagem feita pelas próprias professoras. Segundo o oftalmologista Marcelo Casella, muitos problemas podem ser evitados com a realização de exames periódicos, que devem ser feitos desde o nascimento. ''Doenças como estrabismo, catarata, tumores, glaucoma congênito, miopia e hipermetropia são tratáveis, desde que detectadas a tempo.'' Os médicos recomendam que os exames sejam anuais e que comecem a ser feitos por volta dos três anos.
Outro oftalmologista que participa do projeto em Londrina, Gerson Lopes, explicou que em torno de 20% das crianças em idade escolar têm alguma alteração visual, sendo que 10% necessitam de óculos. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cerca de 500 mil crianças ficam cegas no mundo anualmente. Destas, 80% morrem durante os primeiros anos de vida em decorrência de doenças associadas ao problema de visão.
Alguns comportamentos infantis podem ser vistos como sinais de que a criança está com problemas de visão. Por exemplo, quando ela precisa chegar muito perto da TV para enxergar, quando cai frequentemente ou vive trombando nos móveis da casa e quando apresenta queda no rendimento escolar, como é o caso de Lorena. A mãe, Maria do Carmo Silva, chegou a levá-la ao médico antes, mas o problema não foi detectado. Ontem o exame foi repetido e o uso de óculos recomendado de imediato. ''Se não fosse este projeto, eu ia continuar achando que o problema dela não era nos olhos'', disse Maria do Carmo.

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