Projeto melhora desempenho escolar
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de fevereiro de 2010
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Não é de hoje que investimentos na educação são, visivelmente, alternativas que dão retorno. Aumento das notas e do rendimento, maior participação e, principalmente, motivação dos alunos são os itens que mais apresentam melhorias nas escolas com iniciativas que vão desde projetos pedagógicos até reestruturação física.
Pois foi exatamente o que aconteceu em uma escola de Londrina, que conseguiu mudar a realidade reduzindo o índice de reprovação de 30% para 17% em apenas um ano. A mudança ocorreu na Escola Estadual Lauro Gomes da Veiga Pessoa, no Jardim Maria Cecília (Zona Norte), que atende jovens de 5 a 8 série, com a implantação de projetos que abordam a aprendizagem pedagógica e social.
Segundo pedagoga da instituição, Kelli Cristina da Silva, os projetos têm enfoque na leitura, conscientização ambiental e educação sexual. ''A implantação desse projeto, chamado Superação, ocorreu depois que a escola apresentou média em 2007 de 2,5 na Prova Brasil, que mede o rendimento dos alunos em todo o estado'', explica. A média esperada naquele ano, em Londrina, era de 3,8.
Diante dos piores resultados no Paraná, a Secretaria Estadual de Educação promoveu o Plano Desenvolvimento Educação (PDE) para levantar os problemas na parte pedagógica e estrutural das escolas e, então, destinar recursos. ''Com a verba de R$ 31 mil, a escola pôde comprar equipamentos audiovisuais, material de suporte pedagógico e investir nos projetos'', acresenta Kelli.
Para isso, um levantamento foi feito, por meio de reuniões, com toda a comunidade escolar, incluindo pais e equipe de apoio. ''Nesse levantamento foi constatado que a interpretação escrita era um dos itens que mais apresentava dificuldades. Alguns alunos não conseguiam nem entender o enunciado do exercício. Por isso, decidimos que este seria um de nossos investimentos.''
Tanto que a escola lançou uma campanha para estimular a leitura entre os alunos, inclusive com premiação para quem lesse mais títulos e entregasse relatórios das histórias. Os resultados de 2009, cuja meta é 3,9, só devem ser divulgados em maio, mas a expectativa de melhoria na média é grande.
Para a coordenadora do projeto de leitura, Margareth Hamada Martins, o exercício de ler melhorou o comportamento dos alunos. ''Muitos deixaram de bagunçar durante as aulas, as notas aumentaram e a participação se tornou mais constante. Frequentemente vinham com dúvidas de palavras novas que aprendiam nos livros. Alunos que não tinham nem carterinha da biblioteca, agora enchem o cartão com livros emprestados.''
Além do projeto de leitura, o subsídio possibilitou a construção de uma horta e um jardim que trouxeram ótimos resultados. ''Os alunos passaram a ter responsabilidade, já que cada um recebeu uma função. Tem aluno que mudou muito, porque agora ele se sente importante'', diz o professor Luciano Francioli, que atua no projeto de reflexão e conscientização ambiental.
De acordo com ele, um dos objetivos é que os alunos se transformem em multiplicadores dessas informações. ''Queremos que eles possam repassar o que aprenderam para a família. Entre os estudos, aprederam a estrutura da pirâmide alimentar, como lidar com a cultura orgânica, além de como manipular os alimentos e higiene pessoal.''
Resultados
Isabelly Taciane Dias, de 11 anos, é uma das alunas contempladas pelo projeto de leitura. Ela conta que pegava cerca de seis livros num ano; o número agora passa de oito ao mês. ''Comecei a ler por causa dos prêmios, mas daí peguei gosto e hoje adoro ler'', diz. Para ela, com o grande número de títulos que lê, as notas aumentaram. ''Percebo que hoje tenho mais imaginação, principalmente quando vou fazer uma redação.''
Ex-aluno, o jovem Ivan Pereira Júnior, de 17 anos, vai poder levar na bagagem o que aprendeu na escola. Ele, que também não tinha o hábito de ler anos atrás, contabiliza agora os ganhos. ''Ter o hábito da leitura não só melhorou meu vocabulário como até mesmo a fonética, que sempre tive dificuldades'', revela. Tamanha foi a diferença, que o garoto escreveu inclusive um jornalzinho para o grêmio estudantil no último ano.


