Projeto libera morfina para doentes de câncer
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segunda-feira, 27 de outubro de 1997
Cristine Pieske 
Curitiba
Arquivo FolhaPizzatto aponta neurose em relação ao uso médico da morfinaUm projeto de lei do senador Osmar Dias, já aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado, deverá liberar a partir do próximo ano o uso de medicamentos à base de morfina para doentes de câncer. O projeto, que ainda terá que ser votado pela Câmara Federal e receber a sanção do presidente, também estabelece o fornecimento gratuito dos medicamentos pelo Ministério da Saúde para doentes carentes. Atualmente, o uso da morfina é restrito no Brasil porque a substância permanece incluída na lista de entorpecentes que podem causar dependência química.
Além da morfina, o projeto pretende facilitar o acesso dos doentes de câncer a outras drogas utilizadas no combate à dor oncológica, como petidina, codeína, tramadol, buprenorfina e nalaxone, que também enfrentam restrições. Pela proposta do senador, a venda dos medicamentos continuará sendo controlada pelo Ministério da Saúde, mas com menos limitações burocráticas. Hoje a legislação é equivocada e os médicos acabam temendo a lei como se fossem traficantes e viciados em drogas, diz o senador.
Segundo o superintendente da Liga Paranaense de Combate ao Câncer, Luiz Pedro Pizzatto, a morfina continua sendo o analgésico mais eficiente para o alívio de dores agudas, e a dependência não ocorre nas dosagens orientadas pelos especialistas. O médico afirma que existe uma recomedação da própria Organização Municipal da Saúde para que a substância volte a ser consumida. O Brasil parece sofrer de neurose em relação ao uso médico da morfina, associando-a sempre ao vício e a dependência, diz. Na Dinamarca, o consumo médio é de 2,6 mil doses de morfina por dia, contra uma dose diária no Brasil.
A partir da aprovação do projeto, a intenção é que o Ministério da Saúde tenha em seu cadastro dados de todos os doentes de câncer em tratamento nos hospitais brasileiros. O objetivo é controlar o consumo dos medicamentos e fornecer gratutitamente os remédios para as famílias carentes, a exemplo do que já ocorre com os coquetéis utilizados no tratamento da Aids.


