Projeto leva ginástica para crianças da Vila Brasil
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terça-feira, 31 de julho de 2007
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Exemplo em proporção microcósmica do que acontece Brasil afora, o projeto de ginástica artística organizado pela Associação de Moradoras da Vila Brasil (Região Central de Londrina) persiste em existir mesmo diante do quase absoluto abandono. Todas as terças e quintas-feiras, assim que o sol vai indo embora, as crianças chegam ansiosas para mais uma jornada de treinos na quadra poliesportiva do bairro. Com os colchonetes improvisados embaixo do braço, trazidos de casa, todas participam empolgadas dos exercícios, mesmo diante da quase completa falta de estrutura.
João Vitor tem só seis anos mas já mostra certa aptidão para a ginástica. Tanto é que nos próximos dias deve fazer testes para ingressar na Associação Londrinense de Ginástica Artística (Alga), parceira que empresta um instrutor para o projeto. Disciplinado, o garotinho segue à risca as orientações. Dá estrelas, corre, faz abdominais, se estica, pula. ''Acho mais legal os mortais'', confessa com a verdade inocente da infância. Tiago, o outro menino da turma com sete anos, admite que preferia futebol e que o treino é duro mas revela que está aprendendo a gostar do esporte. ''É um pouquinho cansativo mas não é muito difícil de aprender'', fala.
''Tem que ter muita vontade e querer fazer'', ensina Bruna, 9 anos, irmã de Tiago. ''Quero aprender para fazer igual as meninas que vi na televisão'', diz. ''Só queria que tivesse as coisas para a gente treinar mais porque aqui não tem material nenhum'', lamenta a menina. Com ela treinam duas Marias Eduardas, Elielma, Stephanie e Nahra, que também querem continuar praticando para aprender também a enfrentar os obstáculos da vida.
Auxiliar técnico na Alga e instrutor voluntário no projeto, André Luiz Peres, ressalta que os alunos chegam sempre cheios de energia mas são poucas as maneiras que encontram para ''descarregar''. Ele enumera que a modalidade desperta qualidades como disciplina, cooperação e auto-superação. ''A ginástica é muito mais disciplinadora do que outros esportes e é isso que a gente tenta trazer para os alunos'', completa, lembrando que muita coisa precisa ser improvisada por causa da falta de estrutura.
A mãe de João Vitor, Cláudia Rejane Soares, reforça que a iniciativa é importante ''porque a criança que cresce no esporte segue caminhos melhores na vida''. A mãe de Stephanie, Lúcia Tesche, concorda e diz que outro fator importante é que as aulas são dadas no próprio bairro e com a supervisão de pessoas conhecidas. ''Conheço todo mundo e sei que minha filha está segura'', comenta.
Idealizador do projeto e presidente da Associação de Moradores da Vila Brasil, Daniel Ribeiro, lembra que a iniciativa é um pólo do ''Projeto Futuro'', tocado pelo Município, e tem como parceiros a Alga e a Fundação de Esportes de Londrina (FEL). Mas, ainda assim, os únicos equipamentos usados - colchonetes - precisam ser levados pelos alunos. Ele diz que não cobra taxa nenhuma das crianças porque acha que ''o Estado não pode fugir de suas responsabilidades'', completando que empresas também poderiam contribuir. ''Este projeto é um sonho que eu tinha desde que uma filha minha fez ginástica. Queremos dizer que o projeto já existe e pode ser melhor aproveitado'', finaliza.
Serviço - Quem tiver interesse em ajudar o projeto de ginástica artística da Vila Brasil pode entrar em contato com Daniel, pelo telefone (43) 9998-8120.


