Projeto leva educação ambiental e renda ao campo
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terça-feira, 22 de março de 2005
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Produtores rurais da Fazenda Akolá, no Distrito de São Luiz (Zona Leste de Londrina) assistiram ontem - Dia Mundial da Água - a primeira palestra de um projeto coordenado pela secretaria estadual do Meio Ambiente (Sema) para a preservação dos recursos hídricos. A parceria entre a Sema e vários organismos quer alertar agricultores sobre os riscos da falta de cuidados com as bacias hidrográficas. Outro objetivo é orientar ações de prevenção e manutenção de mananciais, matas ciliares e no relacionamento de áreas de produção com reservas legais determinadas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), além de criar alternativas de fonte de renda com a exploração turística das regiões.
A Fazenda Akolá é um assentamento de crédito fundiário criado há cinco anos e que hoje abriga 42 famílias de produtores rurais em uma área de 485 hectares. Na propriedade são mantidas culturas como milho, café, alface e batata-doce, além da criação de suínos. ''São culturas que oferecem riscos de contaminação de lençóis freáticos e de assoreamento de rios como o do Cerne, que abastece a fazenda e integra a Bacia do Tibagi, a maior fonte de água da região de Londrina. Só isto justifica a visita do projeto da Sema a este local'', afirmou o chefe regional do IAP, Ney Paulo. ''Londrina, por exemplo, capta 55% da água que consome da bacia em questão, mas cidades como Ibiporã chegam a depender 100% do Tibagi'', garantiu o secretário executivo do Consórcio Intermunicipal para Proteção Ambiental da Bacia do Rio Tibagi (Copati), Marcelo Canhada.
O projeto vai orientar os produtores a cuidar de matas ciliares e combater o assoreamento do rio, problemas visto por Ney Paulo e pelo gerente metropolitano da Sanepar, Sérgio Bahls, como o de maior gravidade na região. ''Só o rio Tibagi tem 550 km de extensão, com somente 10% desta distância protegida por matas ciliares em condições ideais'', disse o gerente. ''A qualidade da água vem melhorando nos últimos 15 anos e hoje já pode ser considerada boa. Mas a manutenção deste padrão requer investimentos em educação. A importância deste trabalho vai ser destacada com orientações sobre o potencial turístico das propriedades. Os rios em boas condições atraem visitantes e isto gera renda, o que vai incentivar os produtores a manter padrões de qualidade da água.''
O presidente da Associação de Produtores da Fazenda Akolá, Eloir Soares dos Santos, reconheçe a importância da educação ambiental trazida pelo projeto, admitindo que somente a boa vontade dos agricultores não era suficiente. ''Sempre fizemos o possível, mas não tínhamos recursos para realizar a limpeza do leito do rio, por exemplo. Outro grande problema é se livrar das embalagens de agrotóxicos. Com o apoio do programa, poderemos dar fim a esta questão e ganhamos ajuda para combater o assoreamento do rio do Cerne, que usamos para irrigação'', explicou. O programa deve beneficiar ainda este ano mais 15 propriedades em todo o Estado.


