Curitiba - Projeto inédito no País está levando atendimento odontológico a pacientes internados na Santa Casa de Curitiba. A iniciativa é do curso de Odontologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e conta com recursos do programa Pró-Saúde, do governo federal. Além de melhorar a saúde bucal e reduzir os riscos de infecção, a proposta é a de capacitar profissionais para atuarem em ambiente hospitalar.
O trabalho na Santa Casa começou em dezembro e já atendeu cerca de 120 pessoas. Os pacientes passam por avaliação inicial pela equipe de enfermagem do hospital e, quando necessário, são encaminhados para exame odontológico detalhado pela equipe de profissionais e alunos de gradução e pós-gradução em Odontologia. Os pacientes prioritários são aqueles submetidos a cirurgias cardíacas, bariátricas (redução do estômago) e de clínica médica. Os que têm condições de se locomover são levados para o consultório, montado no próprio hospital. Há, ainda, um equipamento móvel para atendimento nos quartos.
Emerson Antonio Zeglin, 37 anos, elogiou a iniciativa. "A gente vem para cuidar do corpo e esquece da boca", ponderou. Apesar de ter ido ao dentista há pouco mais de dois meses, Zeglin está com gengivite por causa do acúmulo de tártaro nos dentes. Ele foi submetido a uma cirurgia de redução do estômago e, agora, terá que redobrar os cuidados com a higiene bucal, pois aumentará a frequência das refeições.
A situação de Maria Aparecida da Silva, 67 anos, é mais delicada. Ela conta que nunca foi ao dentista e a falta de cuidados com a saúde bucal a fez perder praticamente todos os dentes. A preocupação maior da equipe -que a atendeu no próprio leito- é que a paciente tem problemas cardíacos e as bactérias presentes na boca podem agravar sua doença.
Segundo o coordenador do Serviço de Odontologia da Santa Casa, Ernesto Josue Schmitt, a maioria dos pacientes atendidos até agora apresentou saúde bucal comprometida. O projeto deverá subsidiar futuros estudos sobre a relação do agravamento de doenças por causa de infecções na boca, como por exemplo a relação das cardiopatias com as doenças bucais. Schmitt lembrou que há uma lei em tramitação no Congresso que prevê a obrigatoriedade de cirurgiões dentistas em ambientes hospitalares.

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