A Telepar Brasil Telecom apresentou ontem em Cambé (13 km a oeste de Londrina) o novo software Virtual Vision (VV), especialmente desenvolvido para possibilitar a deficientes visuais a navegação pela Internet e a utilização de todos os outros aplicativos Windows, como o Word e Excel. O VV foi desenvolvido pela empresa brasileira Micropower utilizando um sintetizador de voz que orienta os cegos na operação do microcomputador pelo teclado.
Em Cambé, os equipamentos com o novo VV estarão à disposição dos usuários inicialmente na Estação do Ofício. O software – que custaria no mercado perto de R$ 700,00 – está sendo distribuído gratuitamente às escolas, associações e outras entidades que prestam serviços a deficientes visuais.
Ao comando do usuário no teclado, o VV é acionado e passa a ler para ele todos os campos, menus e links que estão na tela do computador. Todas as possibilidades do ambiente Windows, bem como os textos digitados no Word ou de um site, passam então a ser traduzidos para o deficiente visual através do sintetizador de voz.
Na região de Londrina, a distribuição gratuita do novo software da Telepar está sob a coordenação e responsabilidade do Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos (Ilitc), que já possui equipamentos com o VV à disposição dos alunos. Interessados devem fazer contato com a professora Shirlei Mara Sambatti, pelo telefone (43-327-4330). ‘‘O Virtual Vision significa um grande avanço para nós, que temos deficiência visual. Ele nos possibilita igualdade de condições com as pessoas chamadas de normais, no trabalho e atividades escolares que necessitam do computador’’, comentou a professora.
O lançamento do software – que custou cerca de R$ 500 mil em pesquisas e viabilização – aconteceu durante a reunião semestral do Conselho de Clientes da Telepar na região, que contou com a presença do prefeito de Cambé, José do Carmo e outras autoridades.
Este projeto social faz parte de uma parceria entre a empresa de telefonia com a Micropower, a Fundação Bradesco e a Associação Brasileira de Oftalmologia (ABO). Segundo a ABO, há no Brasil aproximadamente um milhão de deficientes visuais, dos quais apenas 10 mil são economicamente ativos.
Na reunião também foi apresentado o telefone especial para surdos-mudos, composto de um aparelho público (tipo orelhão) e um teclado semelhante ao de um computador com visor menor.
Para utilizá-lo e se comunicar com a pessoa desejada nos dez Estados em que a empresa de telefonia opera, o deficiente terá que ligar para o número 1402 e acionar a Central de Intermediação Surdo-Ouvinte, que funciona 24 horas por dia em Brasília. Na central, atendentes auxiliam na comunicação entre o deficiente – que digita na teclado o número desejado e sua mensagem – e seu interlocutor. Os atendentes fazem a intermediação da conversa, traduzindo a mensagem escrita do deficiente para seu interlocutor e vice-versa.
A empresa já instalou gratuitamente sete destes aparelhos no Paraná, sempre acoplados a orelhões em escolas, associações e outras entidades de apoio a surdos-mudos.

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