O projeto Onde Moras, que ganhou este ano o 2º lugar do Prêmio de Cidadania Herbert de Souza, o Betinho, quando concorreu com mais de 120 projetos desenvolvidos em todo o País, vai integrar um livro, a ser lançado pela Fundação Banco do Brasil, sobre projetos comunitários de moradia. A informação é do coordenador do projeto, engenheiro Maurício Costa.
Ele está enviando à Fundação os dados sobre o projeto, que organiza a construção de casas para famílias carentes. Em regime de mutirão, as famílias trabalham em conjunto na construção de suas casas, reaproveitando todo o material que seria demolido.
Josoé de Carvalho‘Morava num barraquinho de três por três. A vida melhorou muito para nós’
Isabel Cândida Miguel‘‘Para quem morava em um barraco minúsculo, viver numa casa de tijolos, com piso acimentado, quartos, sala, cozinha e banheiro, é mudar para o paraíso’’, comenta Maurício Costa.
Segundo ele, a idéia surgiu em dezembro de 96, quando trabalhava em uma construtora e precisou demolir uma construção. ‘‘Conversando com o padre Roque, da Paróquia do Jardim Califórnia (zona leste), surgiu a idéia do reaproveitamento do material demolido’’, explica o engenheiro.
As famílias que participam do projeto recebem uma cesta básica mensal, fornecida pela Igreja Católica, passes para o transporte, cedidos pela empresa de Transportes Coletivos Grande Londrina. A Prefeitura faz o transporte do local da demolição até o da nova construção. ‘‘Agora, o Grupo Votoran está fornecendo argamassa (novo produto, à base de cimento e areia). E o Depósito Piapara, de materiais de construção, tem servido de almoxarifado’’, detalha Maurício.
Josoé de CarvalhoCidadaniaJosé Fernandes Pessoa, 46 anos: ‘‘Estava desgostoso da vida, desempregado, quase me separei. Agora, tenho emprego e já estamos melhorando a casa’’Através do Onde Moras já foram construídas cerca de 30 casas, nos jardins Marabá e Santa Fé (antigas favelas localizadas na zona leste) e no João Turquino (assentamento da zona oeste).
Um dos beneficiados pelo projeto é José Fernandes Pessoa, 46 anos, é pedreiro, casado e pai de sete filhos, de sete a 22 anos. Com ele, vivem ainda dois netos, de quatro e seis anos. Durante três anos, todos viveram em um barraco de 16 metros quadrados. Quando chovia, a enxurrada invadia o barraco. Eles tinham que colocar a geladeira em cima do sofá. ‘‘Era um inferno. Estava desgostoso da vida. Bebia, estava desempregado e cheguei ao ponto de me separar. Agora, estou empregado, deixei de beber e já estamos melhorando a casa. Coloquei vidros, estamos fazendo o reboco e quero ainda colocar piso em toda a casa e nas beiradas e, ainda, azulejo nas paredes da cozinha. Se não fosse o projeto, ainda estava no barraco’’, diz.Josoé de Carvalho‘Depois do projeto, moramos numa casa de verdade, toda de tijolos’
Cláudio RibasÁureo Nogueira

mockup