Uma sacola cheia de surpresas. Nela, livros, revistas, gibis, jornal, encartes e folhetos, que ajudam a incentivar a leitura. É esse o material que Andressa Beatriz de Souza Sica, de sete anos, levou para casa e compartilhou com os pais Paulo César Normandia e Adriana Souza Silva e a irmã Mariana, dois anos.
''É um momento bem gostoso, a gente lê e conversa sobre os assuntos'', explica o pai, que sempre questiona a filha sobre os personagens das estórias. ''Pergunto para ela sobre a estória, os personagens. Ela consegue me contar direitinho'', afirma.
Os preferidos de Andressa são os gibis e os livros infantis. O pai tem preferência por jornal e a mãe pelas revistas. Mariana também fica por perto, folheando o material, principalmente o colorido. ''Gosto muito de ler e agora estou lendo ainda mais'', afirma Andressa, que já levava para casa um livrinho por semana da biblioteca da escola.
''É importante para ela e está incentivando a gente também. Seria bom se outras escolas pudessem ter um projeto como esse'', afirma o pai. Um caderno colocado junto do material serve para que os pais avaliem a iniciativa do projeto.
O projeto conhecido como ''Sacola de Leitura'' atende 450 alunos do ensino fundamental, do pré à quarta-série da Escola Municipal Professora Maria Irene Vicentini Theodoro, localizada no Jardim Califórnia (Zona Leste).
A idéia existe há quatro anos, mas dificuldades burocráticas só permitiram que o projeto fosse implantado no início deste semestre. Os alunos têm a oportunidade de ler mais, mas sem nenhum tipo de cobrança ou obrigação. ''Eles fazem a leitura por prazer'', afirma a idealizadora do projeto, a professora regente de oficina de biblioteca, Rosana Aparecida Casa Santa Pierote.
Rosana é pedagoga e leciona para alunos da educação infantil. Ela percebeu a dificuldade e o desinteresse de muitas crianças com a leitura. ''Elas não tinham muito incentivo. Levar a sacola para casa, sem nenhuma cobrança, sem a obrigação de ler, seria uma forma de oferecer material para eles'', conta. Todo o material vem da biblioteca da escola e de doações feitas pela comunidade escolar.
O retorno, segundo a professora é imediato. ''Eles ficam ansiosos para chegar em casa e ver o que tem dentro da sacola. Aos poucos você cria o hábito da leitura e o interesse por livros, revistas e jornais'', afirma. Para a professora, os pais se envolvem mais com os filhos, em uma atividade saudável e prazerosa. ''As opiniões dos pais funcionam como forma de avaliar nosso trabalho e melhorar cada vez mais o projeto''.
Entre os recados deixados nos cadernos de avaliação estão frases simples, que demonstram o resultado do projeto: ''A atividade proporciona grande aprendizado'', ''Foram momentos gostosos''. Para a supervisora da escola, Adriana Belizário da Silva, o projeto cria um vínculo familiar, muitas vezes esquecido, em função do tempo escasso que os pais têm com os filhos. ''É uma forma de fazer com que os pais acompanhem mais o desenvolvimento dos filhos na escola.'' A intenção da direção, ainda este semestre, é estender um pouco mais o tempo de permanência do material na casa do aluno.

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