Dorico da SilvaMaterial valiosoMoradores do jardim Marabá retiram o reboco e os tijolos, um a um, numa casa na rua Sergipe

O Projeto Onde Moras, que aproveita material de casas demolidas para construir moradias para favelados, conseguiu esta semana mais três imóveis para demolição. Ontem, moradores do Jardim Marabá - que já construíram três casas nesse sistema - começaram a demolir uma casa na rua Sergipe, centro de Londrina. Eles têm prazo até domingo para colocar abaixo todos os tijolos, que servirão para uma quarta casa no Marabá. Em troca do material de construção, os moradores fazem a demolição.
Na casa da rua Sergipe, o serviço foi contratado pela construtora Artenge S/A, que doou também material de dois sobrados de 200 m2, vizinhos à casa. Dentro de 15 dias, quando os sobrados forem desocupados, os moradores do Marabá iniciam o trabalho. Os tijolos maciços, as telhas e a estrutura de madeira serão usados pela Artenge. O restante do material vai para o Marabá. ‘‘Para nós, é uma grande ajuda’’, diz o engenheiro do Projeto Onde Moras, Maurício Tadeu Alves da Costa. O Projeto é coordenado pela Igreja Católica.
O diretor da Artenge, José Carlos Salgueiro, afirma que o Projeto é uma saída para o desfavelamento da Cidade. Conselheiro da Cohab pela segunda gestão consecutiva, Salgueiro diz que a comunidade deve incentivar o Projeto, que sai a custo zero para o Município. ‘‘O contribuinte não paga nada por um trabalho tão importante para a comunidade’’.
Salgueiro, que também é diretor do Sindicato da Indústria da Construção de Londrina (Sinduscon), fala que vai levar a idéia para a entidade. ‘‘Outras construtoras podem aderir à proposta e contratar esse serviço para demolição. Há muitas casas velhas que serão demolidas para dar lugar a prédios em Londrina’’.

Projeto é visto
como o caminho
mais barato para
o desfavelamento


Segundo Salgueiro, a vantagem para a construtora é que diminui o custo da obra. Para demolir uma casa, sempre é preciso contratar maquinário. ‘‘O preço da hora não é baixo e o que sobra vira entulho depois’’, diz. Ele explica que a construtora não recicla o material. Mesmo se reaproveitasse - afirma - o custo da mão-de-obra sai mais alto que o próprio material, já que é um trabalho lento.
O projeto apresenta uma outra vantagem também importante na opinião de Salgueiro, porque os moradores de favela que poderiam estar parados acabam trabalhando para benefício próprio que é a construção de sua casa.
Para ontem à noite, estava agendada uma reunião entre os coordenadores do Projeto, moradores e o padre da Paróquia do Jardim União da Vitória, que é o próximo bairro a ser atingido pelo Projeto. O engenheiro Maurício da Costa afirma que logo o nome do Projeto será mudado para Projeto 500 casas. ‘‘Nossa meta é construir 500 casas em dois anos, com a ajuda da comunidade’’.

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