Uma iniciativa da Associação Londrinense de Judô (ALJ), que congrega todas as academias da modalidade na cidade, está beneficiando 200 crianças e adolescentes. Trata-se do Projeto Futuro, que objetiva levar, por meio do trabalho voluntário, a prática do esporte aos jovens da periferia da cidade. Antes de se definir como um projeto social, a idéia dos coordenadores da ALJ era reforçar as equipes de judô nos Jogos da Juventude, com talentos da periferia. A partir de 2001, com a repercussão social desse trabalho, nasceu o Projeto Futuro, atendendo inicialmente 80 crianças.
Quatro pólos de treinamento foram implantados em escolas de diferentes bairros: Maria José Aguilera (Cafezal, zona sul); Olímpia Tormenta (Maria Cecília, zona norte); Nossa Senhora de Lourdes (Vila Siam, zona leste) e na Escola Municipal Marista (Nossa Senhora da Paz, antiga favela Bratac, zona oeste). ''A perspectiva'', de acordo com Alexandre Segatin, um dos coordenadores do Projeto, ''é fechar 2002 atendendo por volta de 400 crianças.''
Para poder alcançar esse objetivo, com recursos obtidos por meio da Lei de Incentivos, o Projeto adquiriu 60 tatames, que acabam de chegar à cidade, e 250 quimonos, que virão até o fim do mês. Esses ''kits'' básicos da prática do esporte destinam-se a atender necessidades atuais e, especialmente, à ampliação, com base em uma parceria recém-firmada com o V Batalhão da Polícia Militar. Desde abril, a PM de Londrina mantém o projeto ''Cidadão Mirim'', reunindo 120 crianças de 8 a 11 anos. Fruto de uma associação com a Igreja e a comunidade, o projeto visa tirar crianças das ruas, dando-lhes como alternativa uma série de atividades educacionais e recreativas.
A parceria com a PM vai ser oficializada no próximo dia 4 de agosto, no ginásio do Colégio Marista, no decorrer da I Copa Interpolos de Judô, com apresentação das crianças atendidas pelo Projeto Futuro. Entre elas, estarão lá Dayane Andrezza Grandolfi da Silva, Marília Cristina de Brito e Juliana Mendes de Oliveira, todas de 13 anos, que praticam judô há cerca de três meses no colégio Nossa Senhora de Lourdes, onde estudam, e que é um dos pólos do Projeto.
Todas gostam de luta, duas delas, inclusive, já tinham aprendido capoeira. Com todo apoio das famílias, como dizem, consideram importante aprender disciplina e defesa pessoal. ''No começo'', explica Dayane, ''o medo maior era de cair e se machucar, mas depois a gente aprende a técnica e tudo fica fácil.'' Elas querem crescer no esporte, participar de torneios, tornar-se vencedoras, tal como Daiane de Jesus Ferreira, 16 anos de idade, que frequenta o pólo do colégio Maria José Aguilera. ''Em um ano de judô'', conta orgulhoso Murilo Mendes, outro dos coordenadores do Projeto Futuro, ''Daiane conquistou 10 medalhas em diversos campeonatos importantes da categoria.'' O principal objetivo do Projeto, complementa Murilo, ''é justamente esse, possibilitar às crianças da periferia uma visão mais ampla e positiva do mundo, o que vai, sem dúvida, ajudá-las a crescer.''
Com a chegada dos novos recursos, como explica Alexandre Segatin, da ALJ e um dos coordenadores do Projeto, ''a perspectiva é de que consigamos fechar o ano atendendo por volta de 450 crianças.'' ''A disciplina e o respeito apregoados pelo judô estão mudando a vida e o comportamento dessas crianças.'' A previsão da coordenadoria do Projeto é de que consigam atender 1.000 crianças até o fim do ano que vem e 2.000 até o fim de 2004. O objetivo do Projeto Futuro é disseminar a prática do judô e, ao mesmo tempo, evitar que as crianças, especialmente da periferia, caiam nos fáceis descaminhos da vida.

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