Projeto facilita transferência
para universidades estaduais
Objetivo é
reduzir número
de vagas que não
são ocupadas
Israel Reinstein
Um projeto de lei em tramitação na Assembléia Legislativa pretende facilitar a transferência de universitários para as universidades estaduais públicas. De acordo com o autor da proposta, deputado Joel Coimbra (PTB), caso seja aprovado o projeto, as universidades estaduais poderão matricular os alunos de outras instituições sem qualquer tipo de restrição, a não ser a compatibilidade dos currículos. O projeto está em estudo na Comissão de Constituição e Justiça e deve ser posto em votação na próxima terça-feira.
‘‘A atual forma da lei não possibilita a matrícula do aluno, mesmo que a disciplina tenha apenas a metade das vagas existentes ocupadas’’, explica. Segundo Joel Coimbra, hoje existe uma ociosidade entre 25% a 30% nas universidades estaduais, gerada pela desistência dos alunos.
Pelo projeto, toda vez que houver sobra de vagas, o universitário que não tenha sido aprovado em vestibular da universidade estadual pode requerer sua matrícula. ‘‘A universidade será obrigada a fazer o chamamento dessas vagas’’, afirma.
Coimbra diz que o projeto visa democratizar o acesso às universidades. ‘‘Existe uma demanda grande pelo ensino público. Mas a falta de vagas força muitas pessoas a migrarem para as instituições particulares, mesmo sendo algumas delas de qualidade inferior às universidades públicas’’, afirma.
O deputado estima que a procura pelo ensino público equivale a dez vezes a disputa por uma vaga nas instituições privadas. ‘‘Outro aspecto importante é a possibilidade de o aluno sem condições financeiras poder cursar uma universidade gratuita’’, acrescenta. Hoje os inadimplentes chegam a 20% dos matriculados nas instituições privadas.
A vice-reitora da Universidade Estadual de Maringá, Neuza Altoé, afirma que o volume de pedidos de transferência de alunos é muito grande. ‘‘Recentemente, abrimos duas vagas no curso de Direito e haviam 40 interessados’’, conta. Neuza afirma que a procura é maior na disciplinas mais concorridas no vestibular, como Administração e Direito. ‘‘Mas as vagas, em curso como Matemática e Letras, também são procuradas pelos alunos das entidades privadas’’, comenta.
Neuza afirma que em muitos cursos da instituição o número de alunos que se forma é bem menor que o dos que ingressam na universidade. ‘‘Nestes casos, os professores, que são destinados a dar aulas a 40 alunos, acabam lecionando para apenas dez pessoas’’, afirma.

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