Projeto estimula artesanato caiçara em Guaraqueçaba
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 05 de agosto de 1997
Cristine Pieske 
Curitiba
Uma parceria entre o curso de Desenho Industrial da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Fundação O Boticário pretende criar novas opções de trabalho para os moradores do Litoral paranaense. A intenção é ensinar às famílias da região de Salto Morato, no município de Guaraqueçaba, técnicas de artesanato com bambu, servindo como fonte de renda alternativa para os moradores. Atualmente, quase a metade da população da região vive apenas da extração ilegal de palmito, somando uma renda mensal de R$ 33,00 em média.
O projeto de extensão universitária, chamado Projeto Bambu, começou no mês passado e tem a duração prevista de um ano. Durante esse tempo, grupos de alunos do curso de Desenho Industrial da UFPR deverão ensinar aos moradores de Salto Morato técnicas de manuseio, confecção e comercialização de objetos feitos com bambu. Na primeira fase do projeto, que terminou no último final de semana, 28 artesãos locais aprenderam a desenvolver cestas, porta-louças, presilhas para cabelo e objetos de enfeite.
As próximas etapas do projeto, segundo o professor da UFPR e coordenador do programa, Dalton Luiz Razera, abrangem a ampliação de uma oficina de artesanato e o aprimoramento das técnicas de confecção de objetos. Na última fase, os artesãos receberão dicas de como vender seus produtos para os turistas. Segundo o professor, há planos de comercializar algumas peças do artesanato de Salto Morato, como saboneteiras e pequenos potes, nas lojas de O Boticário. Há também a intenção de vender os produtos nas lojas Feito Aqui, da Prefeitura Municipal de Curitiba.
O coordenador do projeto explica que as técnicas de artesanato estavam sendo esquecidas pelos moradores da região de Guaraqueçaba, uma das áreas mais pobres do Litoral paranaense. Dos 116 habitantes da região, apenas duas ou três pessoas permaneciam na atividade artesanal. A matéria-prima utilizada, até então, era a madeira - o que também caracteriza atividade extrativista irregular. Com o projeto, o professor da UFPR pretende ensinar os moradores de Salto Morato a substituir a madeira por materiais alternativos, como bambu e fibras de gengibre, muito cultivados pela população. Queremos desenvolver nos moradores um novo gosto pelo folclore da região, diz o professor.


