Projeto ensina pais a enfrentar diabetes em pacientes jovens
Silvana Leão
De Londrina
Há cinco anos, a auxiliar de enfermagem Ana Luísa Galvão Rodrigues Góes custou a acreditar no diagnóstico de diabetes que a médica deu para sua filha Monique, então com um ano e três meses.
Assim como a maioria da população, ela achava que não seria possível alguém principalmente um bebê desenvolver a doença numa família em que não havia nenhum caso anterior da patologia. Mesmo trabalhando dentro de um hospital, Ana não sabia da existência dessa possibilidade.
Na verdade, porém, Monique tornou-se mais uma paciente da diabetes tipo 1, ou diabetes insulino dependente, como é mais chamada hoje em dia. Ela é responsável por 5% de todos os casos da doença e desenvolve-se acima de tudo em crianças e adolescentes.
De uma hora para outra, o organismo desenvolve anticorpos que acabam por destruir o pâncreas. A hereditariedade, neste caso, tem pouca influência no surgimento do problema.
Foi um grande choque, entrei em desespero quando soube. Não conseguia aceitar o fato de que minha filha teria que tomar insulina para o resto da vida, conta, emocionada, Ana Luísa Góes.
Ela revela que, apesar de sua experiência em administrar medicamentos em outras pessoas, teve dificuldade em aceitar a maratona de injeções e de testes que Monique passou a submeter-se.
Hoje a auxiliar de enfermagem está familiarizada com a doença e suas formas de manifestar-se, doses e tipo de insulina que deve administrar em cada ocasião. Se a gente erra na quantidade ou no tipo da insulina, a criança passa mal, ensina.
Este tipo de reação é comum nos pais que recebem a inesperada notícia de ter um filho diabético. Por isso, a presença de uma equipe de profissionais de várias áreas neste momento, para apoiar, ensinar e desfazer os mitos da doença junto à família, é de fundamental importância.
No Ambulatório do Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), médicos, enfermeiras, psicóloga, nutricionista e assistente social se revezam no atendimento e acompanhamento de quase 150 pacientes diabéticos do município e região.
Divididos em 10 grupos, de acordo com a idade e nível de escolaridade, estes pacientes passam, a cada três meses, uma manhã no ambulatório, onde são submetidos a avaliações e terapias, além de receber orientações.
Enquanto esperam pelas consultas, as crianças são submetidas a atividades lúdicas e até culinárias, onde aprendem receitas de guloseimas que não levam adição de açúcar.
O projeto Ambulatório de Atendimento Interdisciplinar ao Paciente Diabético existe desde 1984, e quase metade dos pacientes (aproximadamente 60) é formada por crianças e adolescentes.
No início do atendimento, os pais passam por um treinamento para aprender as técnicas de aplicação da insulina, de análise da urina e verificação da quantidade de açúcar no sangue, além dos cuidados com alimentação e higiene.
O passo seguinte é o convívio com outros pais e pacientes que passam pela mesma situação, uma das formas de promover a aceitação da doença. Este convívio é tão importante que os profissionais do Hospital de Clínicas (HC) vão promover, de 10 a 12 de dezembro, o 1º Acampamento para Jovens Diabéticos.
O grupo existe para dar o tratamento e apoio em conjunto. O papel principal, porém, é a educação, lembram as médicas Maria Leocádia de Oliveira e Claudia Spinosa, responsáveis pelo atendimento pediátrico do projeto.
Elas detalham que o tratamento deve ser composto de dieta, atividade física, medicamentos e educação. O paciente deve ter conhecimento da patologia para ter melhor controle sobre ela.
Todo o trabalho desenvolvido pela equipe de profissionais do Hospital de Clínicas visa, acima de tudo, que os pacientes tenham uma vida normal. Hoje, no grupo, há até campeões de natação, ressaltam as médicas.
Na hora de vencer as dificuldades com a alimentação da criança, entra em cena a nutricionista, que dá receitas e dicas valiosas, para que a criança, embora impedida de ingerir açúcar, não tenha que se privar de festas, por exemplo.
Na verdade, o diabético deve ter um tipo de alimentação que é a ideal para todas as pessoas: pouco sal, pouca gordura e muita fibra, tudo de maneira muito equilibrada e fracionada em várias refeições ao dia, afirma a nutricionista Ilidia Martelli Takahashi. Segundo ela, o trabalho maior, no caso dos diabéticos, é quantificar o valor calórico que cada paciente pode ingerir.
Uma prova de que o tratamento bem feito pode amenizar em muito os sintomas da doença é Benedito Moreira Valério, de 16 anos, que mora em Rosário do Ivaí (145 quilômetros ao sul de Apucarana).
Ele percebeu os primeiros sintomas há dois anos, e depois de ter o quadro agravado, passou a frequentar o ambulatório de atendimento interdisciplinar em Londrina.
Agora eu estou bom. No começo sentia muita dor e fraqueza. Hoje a doença não me atrapalha em nada. Nem as duas injeções diárias de insulina o incomodam. Às vezes sou eu mesmo que aplico. A dieta também não parece atrapalhar em nada a vida de Benedito, que diz já estar acostumado.
A maior dificuldade enfrentada pelo garoto é a da maioria dos diabéticos que dependem da saúde pública: a não-distribuição de fitas reagentes para autocontrole do nível de glicemia na urina e a escassez e até falta de insulina.
No caso de Benedito Valério, a família só consegue o medicamento em Londrina. Quando ele está em falta, o jeito é desembolsar os R$ 20,00 (em média) para comprá-lo, já que o tratamento não pode ser interrompido.
SINTOMAS
- Cansaço frequente
- Urinar a todo momento
- Fome a toda hora
- Muita sede
- Perda de peso sem razão
- Feridas que não cicatrizam
- Infecções vaginais
- Mãos e pés adormecidos
- Problemas sexuais
- Visão TurvaNo Dia Internacional da Diabetes 14 de novembro Ana Luísa Galvão relata o drama que enfrentou quando descobriu que a filha Monique tinha a doença
Josoé de CarvalhoCHOQUE E DESESPEROAna Luísa Galvão Rodrigues Góes e a filha Monique, doença diagnosticada há cinco anos quando a menina tinha apenas um ano e três meses de idade: Foi um grande choque, entrei em desespero quando soube. Não conseguia aceitar o fato de que minha filha teria que tomar insulina para o resto da vida





