Projeto ensina como trabalhar com surdos
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segunda-feira, 02 de maio de 2005
Reportagem Local 
Uma parceria entre a Prefeitura de Londrina e a Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Auditivos de Londrina (Apadal) está desenvolvendo um projeto pioneiro no Brasil, oferecendo oficinas de sensibilização para trabalhar com deficientes auditivos. O objetivo é formar intérpretes em Língua Brasileira de Sinais (Libras) para atender com qualidade pessoas surdas. As oficinas e o material utilizados são gratuitos.
A parceria conta com recursos federais, por meio de uma emenda do deputado federal Paulo Bernardo (PT), hoje ministro do Planejamento. O valor destinado ao projeto é de R$ 20 mil, com contrapartida de R$ 4 mil da Prefeitura de Londrina. A proposta tem o referendo do Conselho Municipal da Assistência Social (CMAS).
Segundo Irlane Duarte Alves, assistente social da Apadal, o curso, que é realizado em 10 encontros de duas horas, têm o objetivo de sensibilizar os participantes a se envolver com o universo das pessoas com deficiência auditiva. ''Até o fim do ano 240 pessoas passarão pelos treinamentos que duram cerca de dois meses'', informou. A meta do curso, segundo ela, é treinar educadores, profissionais liberais, empresas e interessados no universo da 'cultura surda'.
Três turmas com 20 integrantes estão em treinamento e a próxima equipe começa as oficinas hoje. Desde 2004, a Apadal oferece um curso de Libras com duração de seis meses e mensalidade de R$ 30,00. A Apadal também encaminha os surdos para o mercado de trabalho.
Irlane disse que as pessoas com deficiência auditiva podem trabalhar em linha de produção, como auxiliar administrativo, informática e outros setores. Para ela, o trabalho aumenta a auto-estima e ajuda a vencer os preconceitos.
José Luiz Alves Nunes, voluntário da associação que tem uma filha com deficiência auditiva, ressaltou que é necessário despertar a sociedade a entender o mundo dos deficientes físicos e as dificuldades que eles têm em utilizar as escolas, universidades e serviços públicos. Para ele, como entidade de defesa de direitos, a Apadal tem a missão de agir na sociedade. ''A melhor forma de se relacionar com os surdos é a sensibilização'', declara.
A secretária de Assistência Social, Maria Luiza Rizotti, afirmou que cursos como as oficinas de sensibilização da Apadal são essenciais para a inclusão das pessoas com deficiência nos diversos segmentos sociais. No caso dos surdos, a secretária disse que aprender a se comunicar por meio da Libras é uma das principais formas de interagir com o universo do surdo. ''A comunicação melhora o relacionamento, o que é importante para que o deficiente auditivo possa se sentir um cidadão'', analisou.


