Um depósito com mais de 20 mil pneus usados implica em riscos iminentes de proliferação do mosquito da dengue em Cambé (13 km a oeste de Londrina). Muito embora os casos da doença estejam controlados no município, a área tornou-se nos últimos meses motivo de apreensão para a Secretaria de Saúde. Tanto que no intervalo de 15 dias, ou até menos, uma equipe era deslocada até o local para eliminar os possíveis focos do mosquito transmissor Aedes Aegypti. ''Nós sabíamos que esta área era de risco, nunca houve negligência no município. Sempre que necessário, a secretaria enviou gente para monitorar o local e prevenir a proliferação dos focos'', ponderou a secretária Djamedes Garrido. Segundo ela, foram computados neste ano somente dois casos da doença no município, ambos importados (contraídos em outros locais).
Para reduzir os perigos de um surto de dengue em Cambé, a prefeitura assinará na próxima terça-feira uma parceria com a Jabur Recapagens, que prevê um trabalho sistemático de recolhimento de pneus velhos. A empresa pagará R$ 0,20 a coletadores cadastrados por unidade recolhida dentro dos limites do município. Além do aspecto sanitário, o convênio valoriza ainda as questões relacionadas com a preservação do meio ambiente. Um espaço coberto de aproximadamente 6 mil metros quadrados, denominado pela empresa de Ecoponto, será usado para abrigar o material recolhido. A Jabur, então, enviará os lotes para recicladoras com quais mantém convênio. Em geral, os pneus são picados e usados como matéria-prima na confecção de produtos, como sola de sapato, gramas sintéticas, tubulações e combustível para movimentação de caldeiras. ''É um trabalho que irá melhorar as condições da cidade e também poderá ser fonte de renda para pessoas que trabalham com material reciclável'', disse Mário Vander Martins Filho, presidente da Companhia de Desenvolvimento de Cambé.
A primeira ação prática do projeto ocorreu ontem no Jardim Tarobá, bem perto da rodovia BR-369. O borracheiro Roberto Palhare, 48 anos, mais conhecido na região como Galo de Ouro, é o responsável pela carga de pneus depositada no local. Durante quatro meses, ele recolheu em vários pontos da cidade uma média de 300 pneus por dia. Com a viabilização do projeto, negociou a mercadoria de segunda mão a R$ 0,15 com a empresa. Apesar do trabalho, que divide com as responsabilidades de sua borracharia, Galo de Ouro garante que não tem lucro com o negócio. ''Faço mais para ajudar mesmo porque não dá para ganhar dinheiro com este trabalho. A gente gasta com gasolina, paga os meninos para recolher os pneus, tem as despesas com a minha Kombi. Então, tudo fica empatado'', lamentou. ''Trabalho há cinco anos com isso aí e continuo com a mesma Kombinha de sempre'', prosseguiu.
O primeiro lote da carga foi enviado para a recicladora TDF, de Apucarana. O restante da mercadoria, trabalho que deve durar mais uma semana, terá o mesmo destino.

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