Projeto é suspenso por falta de verba
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quarta-feira, 22 de setembro de 2004
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A falta de recursos levou à suspensão das atividades do projeto Boa Noite Cidadão, coordenado pela Organização Não Governamental (ONG) Adé-Fidan Projeto Casa de Vivência Saara Santana. Há 60 dias, os cinco multiplicadores que distribuem preservativos e divulgam informações sobre prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids em cinco pontos frequentados por garotos de programa e homossexuais de Londrina deixaram de realizar o trabalho por falta de passes de ônibus para chegar aos locais.
O coordenador da ONG, Edson Bezerra, informou que o projeto da Casa de Vivência, cujo objetivo é estimular a cidadania e o desenvolvimento da auto-estima entre os travestis, também enfrenta dificuldades financeiras. A causa é a demora no repasse de recursos previstos pelo governo federal para projetos de tratamento e prevenção de DST e Aids.
Desde junho do ano passado, o programa federal de DST/Aids foi descentralizado. O dinheiro passou a ser administrado pelos Planos de Ações e Metas (PAM), implantados em cada munícipio. ''A burocracia criou dificuldades no repasse da verba do poder público para a sociedade civil organizada'', acredita Bezerra.
Os dois projetos da Adé-Fidan recebem uma verba somada de R$ 14 mil por ano. Edson espera receber as parcelas relativas ao ano passado no próximo dia 29 de setembro, quando pretende retomar as atividades do Boa Noite Cidadão. ''Nossa maior preocupação é que nosso público não esteja usando preservativo'', disse, acrescentando que os usuários podem procurar a ONG (Avenida Dez de Dezembro, 468) ou postos de saúde para receber as camisinhas.
Os dois projetos atendem 2,6 mil homossexuais e garotos de programa, além de 139 travestis. A instituição também apóia pessoas vivendo com AIDS e aceita doações de alimentos e dinheiro para dar continuidade ao tratamento dos doentes. ''A contribuição é dedutível do Imposto de Renda'', lembrou. No próximo dia 24 de outubro, a ONG realizará um almoço para arrecadar fundos.
A coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids, Rosangela Alvanhan, confirmou que a ONG deve receber o repasse da verba na semana que vem. Ela disse, também, que a obrigação de gerenciar os convênios é do Estado. ''O município assumiu por achar o trabalho importante'', justificou. Rosângela acrescentou que a Secretaria Municipal de Saúde colabora de outras formas com a Adé-Fidan. ''Doamos passes e preservativos para eles realizarem o trabalho'', contou.


