Representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Associação dos Municípios do Médio Paranapanema (Amepar), Associação de Vereadores de Londrina e região, Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), promotores de Justiça e juízes posicionaram-se ontem contra o projeto do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, que pretende criar mais uma instância judicial no Estado. Caso seja aprovado na Assembléia Legislativa, Curitiba será elevada à condição de ''entrância especial'', o que dificulta a carreira dos magistrados e promotores públicos e ainda pode causar maior lentidão nos processos cíveis e criminais nos demais municípios paranaenses.

Segundo o representante dos promotores, Raimundo Nogueira Soares, existem três entrâncias nas cidades paranaenses, que são a inicial, intermediária e final. Depois dessas, está o TJ, último degrau da hierarquia para os que almejam seguir a carreira judicial. No Paraná, somente Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel, Foz do Iguaçu e Ponta Grossa estão na entrância final. Conforme Soares, se for criada a entrância especial, os juízes e promotores que desejarem chegar ao TJ precisarão passar por Curitiba. Permanecendo pouco tempo no interior, haverá uma grande rotatividade nos fóruns e uma consequente morosidade nos processos. ''Além disso, é oneroso aos cofres públicos'', afirmou Soares. Ele também apontou o rebaixamento das cidades que hoje são entrâncias finais, ''uma conquista da classe jurídica''.

Representantes de entidades que estiveram reunidos ontem na Câmara também demonstraram preocupação com o projeto. Para o presidente da Câmara, Tercílio Turini (PSDB), o projeto é um ''retrocesso''. ''Haverá menos tempo dispensado ao interior'', disse. Turini informou que enviará uma cópia da manifestação de desagrado a todos os deputados estaduais e também ao governador Jaime Lerner, para forçar a supressão da entrância especial.

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